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O ser humano depois da crise: PIB, coronavírus e riqueza interior

Uma crise exige mudanças e suas causas podem estar fora de nossos olhares superficiais, porém devemos atuar no sentido da causa. As bolsas de valores caindo vertiginosamente e continuamos vendo o ser humano apenas como consumidor? Porque o PIB, em sua mediocridade, ainda permanece como o indicador mais importante de uma economia feita 100% por seres humanos? O ser humano precisa ser visto sob novos aspectos, mais profundos.

O célebre professor de economia John K. Galbraith em seu lúcido ensaio “A economia da fraude inocente”, advertia em 2004:

Medir o progresso social quase exclusivamente pelo aumento do PIB, isto é, pelo volume da produção influenciado pelo produtor, é uma fraude, e não é pequena.
(John K. Galbraith)

Ampliar os indicadores de desenvolvimento

Talvez tenha chegado o momento de ampliarmos os indicadores de desenvolvimento econômico com outros fatores que nos descrevam o estado psicológico das pessoas que criam, vivem e se beneficiam ou sofrem com essa economia.

A economia, mais do que números, reflete pessoas. Chegamos ao ponto, ou a ignorância, de assumir que temos uma economia saudável na medida em que produzimos e consumimos de maneira crescente.

Há o consenso de que estamos “saudáveis economicamente” a partir do que geramos e consumimos. E, se mede a nossa riqueza através de “macroindicadores” que nos afastam do humano, do cotidiano, do doméstico, do real.

Consumidor

Fica perceptível que o ator principal é o consumidor e não o ser humano. Um ser humano tem alma e portanto sentimentos. Por isso é preciso ir mais fundo, manter-se no nível do consumo e entender que isso é tudo, é como estar numa piscina rasa de criança até 3 anos. Para nós, um civilização de aproximadamente 10 mil anos, uma vergonha e uma burrice.

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Ser humano X consumidor

Esse conflito do ser humano com o consumidor, sendo este último o que tem valor para o PIB. O ser humano busca uma vida interior e exterior rica. Ele não busca somente uma vida material (exterior) rica, pois isto irá levá-lo a um vazio e todo tipo de crise poderá derrubá-lo.

Em uma crise econômica o PIB torna-se rapidamente um dos temas de atenção do Governo, pois a produção certamente será impactada. Mas, e as pessoas, como estarão se sentindo e pensando?

Cheguei a conclusão de que a economia é uma tentativa vã de narrar a psicologia.
(Alfred Marshall)

Marshall, economista, indicava que todo o processo econômico não é mais do que a manifestação de um conjunto de processos psicológicos, conscientes e inconscientes, individuais e coletivos. Neste sentido, uma crise econômica que estivesse acontecendo, coronavírus por exemplo, não é mais que um sintoma, a ponta do iceberg. Sendo, portanto, um processo muito mais sutil e complexo.

Os processos psicológicos

Indo mais a fundo, o que seriam estes processos psicológicos conscientes e inconscientes, individuais e coletivos? Dê uma olhada a sua volta. Estes processos acontecem a partir da avareza, egoísmo, paranoia, medo, falta de percepção em múltiplos aspectos (diversidade, natureza, relacionamento humano, responsabilidade, cuidado).

Devemos executar as mudanças de forma coletiva ou a mudança individual, feita em si mesmo. Uma crise de nível mundial é uma oportunidade para iniciarmos este processo. Esta crise do coronavírus e o impacto que vem trazendo nas bolsa de valores, e principalmente nos hábitos e comportamentos das pessoas é sem precedentes. A crise de 2008 foi pequena ao se comparar com o que estamos vendo nesta crise do coronavírus/Covid-19.

O conteúdo deste post foi inspirado no artigo “A Crise da Consciência” de Alex Rovira Celma, publicado no livro “Dinheiro e Consciência”, de Joan Melé (Editora João de Barro).

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Éverton Gaucho

Por Éverton Gaucho

Escreve sobre investimentos e tecnologia. É autor no site Caminho para Riqueza. Twitter: @EvertonCpR

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