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Por que há maior demanda por metais preciosos durante as crises?

A demanda por metais preciosos como ouro, prata, platina e paládio durante as crises costuma se elevar. Entenda por que estes metais preciosos são mais visados durante as crises, como por exemplo a do coronavirus.

Durante crises econômicas, como a gerada pela pandemia do novo Coronavírus em 2020, costuma haver um aumento da tensão nos mercados financeiros e grandes quedas dos principais índices das bolsas de valores ao redor do mundo. Durante essas crises também é possível ver um aumento na demanda por metais preciosos.

A busca por segurança é um movimento natural nesses momentos, todavia há muitos investidores que realizam movimentos erráticos dada a tensão gerada pelas crises. Dessa forma, é importante entender bem como funcionam os mercados dos metais preciosos durante as crises e quais as opções disponíveis para comprar esse tipo de ativo.

Tensão gerada pelas crises

As bolsas de valores não estão deslocadas da economia como um todo e nem da sociedade. Dessa forma, quando é deflagrada uma grande crise como a gerada pela pandemia do novo Coronavírus, é natural que haja uma queda generalizada nos preços dos ativos e consequentemente uma queda nos principais índices das bolsas de valores.

Nesse momento a maior parte dos investidores tenta se posicionar frente ao movimento que está em curso nas principais bolsas de valores do mundo. Em geral, os investidores tentam buscar ativos mais seguros nesses momentos, é a partir desse raciocínio que durante as crises, os metais preciosos passam a ter uma maior demanda no mercado como um todo.

Crise Coronavírus retangular

Demanda por metais preciosos

Os metais preciosos, sobretudo o ouro, são ativos valiosos desde civilizações antigas, como os egípcios e o ouro inclusive foi padrão monetário entre o final do século XIX e o começo da Primeira Guerra Mundial. Nesse sentido, metais preciosos ao longo da história sempre foi sinônimo de reserva de valor.

Dessa forma, quando é deflagrado uma crise econômica, a demanda por esse tipo de ativo tende a se elevar. Em suma, isso ocorre pela capacidade dos metais preciosos de manterem seus valores ao longo do tempo.

Além disso, nos momentos de crise a cotação desse tipo de ativo costuma operar na direção contrária da maioria dos ativos. Enquanto a maioria dos ativos desvaloriza, especialmente os ativos financeiros, a cotação dos metais preciosos tende a subir nesses períodos, devido justamente ao aumento da demanda.

Durante a pandemia do novo Coronavírus, por exemplo, muitas ações da bolsa brasileira chegaram a se desvalorizar 50% e o mesmo movimento aconteceu nas demais bolsas de valores do mundo, tanto as mais tradicionais como de mercados alternativos como China, Índia e Rússia. Nesse mesmo período, a cotação do ouro valorizou aproximadamente 15%, enquanto a cotação da prata subiu mais de 20%.

Perenidade e estabilidade do investimento em metais preciosos

Os metais preciosos, de forma geral, são ativos perenes, possuem longa durabilidade. Dessa forma, a compra de um metal precioso enquanto ativo físico pode até mesmo passar de geração para geração. Além disso, esses ativos possuem uma estabilidade maior em relação a seu preço, portanto, acabam por funcionar como um porto seguro em momentos de tensão.

Esse tipo de ativo costuma ter baixa volatilidade ao longo do tempo. Quando analisada a trajetória nos últimos 30 anos do ouro, por exemplo, pode se verificar que mesmo em momentos de pico e de queda no pós crise a variação do seu preço é baixa em comparação aos demais ativos.

O mesmo movimento é verificado em outros metais como a prata, nos quais o preço é estável na maior parte do tempo, que passa por alguns picos e quedas em momentos de tensão econômica global. Essa estabilidade acaba tornando os metais preciosos atrativos em momentos de aversão ao risco.

Quais os melhores metais preciosos para ter no portfólio?

Os metais preciosos mais populares e que consequentemente são os mais demandados durante as crises, são ouro e prata. Todavia, há uma série de outros ativos desse tipo que podem ser uma opção mais interessante para se ter na carteira de investimentos, seja por ter um preço mais acessível ou até mesmo por ser mais fácil obter o ativo físico.

Investimento em ouro

O investimento em ouro é o mais tradicional entre os investimentos em metais preciosos. Além de ser o metal conhecidamente mais valioso, ele não sofre oxidação e, portanto não se desgasta com o tempo. Dessa forma, ativos físicos em ouro podem ser transferidos de geração para geração e seu valor será mantido.

No caso dos investimentos financeiros em ouro, a partir de fundos de investimento, ETF’s de ouro ou derivativos, esse metal precioso também possui uma gama maior de possibilidade de investimentos. Em relação ao mercado financeiro no Brasil, esse é o único metal precioso que pode ser comprado a partir de ativos financeiros.

No Brasil, a principal forma de investimento financeiro em ouro é por meio de fundos de investimento ou contratos. Os contratos de ouro no Brasil possuem três opções, os quais são:

  • OZ1D – Contrato de lote padrão de ouro (250g)
  • OZ2D – Contrato de lote fracionário de ouro (10g)
  • OZ3D – Contrato de lote fracionário de ouro (0,225g)

Cuidados com o investimento em ouro

Contudo, o investimento em ouro comparado a outros metais preciosos possui algumas desvantagens. A principal delas é em relação ao preço, dado que sua cotação é elevada e em determinados momentos comprar esse ativo acaba sendo inviável para uma parcela dos investidores.

Para se ter uma ideia da cotação do ouro, sobretudo em momentos de crise, durante a pandemia do Coronavírus em 2020, a onça de ouro (uma onça equivale a aproximadamente 31 gramas) esteve com preço na casa dos USD 1.700 dólares. Apesar de ser possível comprar ativos financeiros ligados ao ouro que vendem uma fração da onça de ouro, esse preço dificulta a compra do ativo físico por parte dos investidores.

Em relação ao investimento financeiro em ouro no Brasil, mesmo os contratos mais baixos de ouro que possibilitam comprar a fração de 0,225g possuem uma cotação elevada. Durante esse mesmo período analisado, a cotação do menor contrato de ouro, o OZ3D, foi cotada em valor superior a 50 dólares.

Investimento em prata

O investimento em prata é também muito comum ao redor do mundo, é o segundo metal precioso mais visado, perdendo apenas para o ouro. Apesar de não ser tão perene quanto o ouro, a prata é um ativo que também possui boa durabilidade, portanto, mesmo ativos físicos nesse metal costumam ter durabilidade de longos períodos mas demandam maior cuidado.

A prata era um metal muito comum na cunhagem de moedas no passado, sendo assim, não é incomum encontrar pessoas que possuam esses ativos ou por terem herdado de antepassados ou por serem colecionadores. Dessa forma, assim como o ouro esse é um metal muito comum de possuir na sua forma física.

No caso dos investidores brasileiros que operam apenas no mercado nacional, o investimento em prata é restrito à compra de prata em sua forma física. Visto que ainda não existem ativos financeiros no mercado brasileiro indexados a esse metal.

Prata em bolsas do exterior

Todavia, para quem investe no exterior há uma série de possibilidades para investimento nesse tipo de ativo. Nas principais bolsas do mundo, o que incluem bolsas de NY, Londres e diversas bolsas asiáticas é possível encontrar ativos financeiros ligados à prata.

A prata possui ainda outra vantagem que é em relação à sua cotação. Como esse é um metal precioso com valor mais baixo quando comparada ao ouro, esse é um ativo acessível a um número maior de investidores. Dessa forma, mesmo que não seja possível adquirir ativos financeiros ligados à prata no Brasil, é um ativo mais viável de se adquirir na sua forma física.

Cuidados com o investimento em prata

Contudo, um ponto para se ter atenção em relação à prata é que apesar do seu preço mais baixo torna-la mais acessível, também faz com que seu preço seja menos estável em períodos de turbulência.

Essa especificidade da prata pode ser compreendida pelo lado positivo e negativo, o lado positivo é que caso o investidor já possua esse ativo na carteira ele irá se valorizar nesses momentos, todavia, em momentos de retomada da economia, é comum que esse ativo também sofra uma desvalorização maior.

Em relação à diferença nas cotações e na volatilidade entre ouro e prata é possível visualizar com mais clareza comparando os dois ativos em meio à crise durante a pandemia do Coronavírus.

Durante a pandemia entre março e abril, a cotação da prata chegou a variar nesse período de um valor por onça de 11 dólares para 16 dólares, ou seja, quase 50% em menos de um mês. No mesmo período, a cotação de uma onça de ouro teve uma variação máxima de 20%, saindo de 1.400 dólares para 1.700 dólares.

Investimento em platina

A platina apesar de já ser utilizada há centenas de anos, é um metal mais recente que ouro e prata. Esse é um metal muito utilizado pela indústria, dado que ele pode ser dissolvido facilmente com ácidos, portanto, é um metal de fácil transição. Além disso, é um metal resistente ao tempo, dado que não sofre corrosão.

Além de ser bastante utilizado por diversas indústrias, esse é um metal muito usado para confecção de joias e cunhagem de moedas. Países como Canadá, Austrália e Estados Unidos cunharam em alguns momentos moedas a partir desse metal. Essas moedas, inclusive, tiveram alta demanda por investidores ao longo do tempo.

A forma mais tradicional para realizar investimento em platina é por intermédio da aquisição de produtos feitos por esse material, os quais podem ser:

  • Moedas;
  • Joias;
  • Barras de platina.

O investimento em platina por intermédio de ativos financeiro assim como a prata ainda não existe no Brasil. Todavia, em outras bolsas ao redor do mundo, é possível comprar produtos financeiros ligados a esse metal. A cotação dele acaba sendo intermediária entre a prata e o ouro.

Cuidados com o investimento em platina

A platina é um metal encontrado em apenas algumas regiões do planeta, portanto é uma commodity mais escassa. Por esse motivo, ela possui um preço bem mais elevado do que em relação à prata, por exemplo. Durante os primeiros meses de 2020, ela chegou a ser cotada a USD 1.000,00 dólares por onça.

Além disso, é necessário ter atenção com a liquidez desse ativo. Como esse metal não é tão popular quanto ouro e prata, ele possui um número menor de transações, nesse sentido em momentos que seja necessário vender o ativo, o investidor pode encontrar dificuldades para vende-lo no mercado.

A volatilidade da cotação da platina também um ponto a ser levado em consideração no momento de realizar o investimento. Durante os primeiros meses de 2020 e deflagração da crise durante a pandemia, a cotação da platina chegou a variar 30% para baixo e 30% para cima em menos de dois meses. Apesar de ser um momento de tensão, ela apresenta uma instabilidade maior em relação a ouro e prata.

Investimento em paládio

O paládio é um metal menos comum em produtos mais simples, como é o caso dos outros metais preciosos que já foram muito utilizados para cunhagem de moedas. Esse metal é bastante utilizado para equipamentos de automóveis que visam reduzir a emissão de gases e também é utilizado para equipamentos médicos. Além disso, em tempos mais recentes passou a ser utilizado para confecção de joias e já é reconhecido como um artigo de luxo.

Dessa forma, com o aumento das restrições a emissão de poluentes e novas regulamentações, a indústria automotiva aumentou a demanda por esse metal, isso inclusive se refletiu no seu preço. No ano de 2019, a cotação do paládio ultrapassou o ouro e se tornou o mais caro entre os principais metais preciosos.

O investimento em paládio, portanto, é mais restrito. Com relação a possuir ativos físicos desse metal, a possibilidade mais viável é a aquisição de joias. Contudo, dado o alto preço que esse metal atingiu, essa forma de comprar paládio é um movimento restrito a investidores com maior poder aquisitivo.

Todavia, em bolsas de valores no exterior é possível adquirir produtos financeiros ligados ao paládio. Esse metal precioso inclusive está sendo demandado cada vez mais por investidores a nível mundial.

Cuidados com o investimento em paládio

Uma das principais restrições do investimento em paládio é justamente o seu alto preço. Dessa forma, o investimento nesse metal precioso acaba sendo inviável para uma parcela considerável dos investidores. Além disso, as formas de aquisição de produtos feitos com esse tipo de metal são reduzidas.

Outro ponto a ser levado em consideração também é a liquidez desse tipo de ativo. Apesar das operações em torno desse metal terem aumentado, esse ainda é um metal bem menos transacionado que ouro e prata. Nesse sentido, a volatilidade desse ativo também pode ser grande, o que demanda ainda mais atenção.

Em uma análise para o início do ano de 2020, o paládio chegou a variar quase 50% para baixo e depois 40% para cima em menos de dois meses. Com relação ao preço, nesse período a cotação do paládio chegou próxima aos 3.000 dólares por onça e mesmo após a queda se manteve acima dos 2.000,00 dólares por onça, sendo portanto o metal precioso mais caro nesse momento.

Vale a pena comprar metais preciosos durante a crise?

Apesar de parecer sempre uma boa alternativa comprar metais preciosos, nem sempre é um bom momento para comprar esse tipo de ativos. A alta demanda pelos metais preciosos costuma sobrevalorizar o preço desses bens durante as crises, portanto, é necessário ter esse cuidado antes de comprar esses ativos.

Dessa forma, os metais preciosos são ativos que cumprem um bom papel na carteira do investidor durante a crise. Nesse caso, a melhor alternativa para os investidores que desejam se proteger é manter uma parcela do seu portfólio em metais preciosos, dado que em momentos de crise eles protegerão a rentabilidade total da carteira de investimentos.

Para adquirir metais preciosos durante as crises, é necessário ter em mente que o preço desses ativos costuma subir quanto maior for a incerteza e a instabilidade da economia a nível global. Dessa forma, se durante a crise na análise do investidor, a crise tende a piorar ou a economia ficar mais instável, então a aquisição desse tipo de ativo pode ser uma boa oportunidade.

Nos casos em que o investidor vislumbra que a crise atingiu seu ponto máximo, ou em linguagem popular, chegou a fundo do poço, então esse não é um bom momento para aquisição de metais preciosos. Dado que com a melhora da economia, a tendência é que esses ativos sofram alguma desvalorização.

Considerações finais

O investimento em metais preciosos durante as crises acaba sendo muito comum até porque ele concede uma sensação maior de segurança para os investidores. Dessa forma, os metais preciosos possuem características diferentes e é necessário ter atenção sobre qual se enquadra melhor no perfil de portfólio de cada investidor.

Portanto, o investimento em ouro, prata, platina ou paládio podem ser boas alternativas mas cada metal pode se enquadrar melhor pra cada um. Além disso, é importante não agir por impulso e ter atenção no momento de comprar esse tipo de ativo. Visto que em meio a momentos de turbulência nos mercados, a cotação dos metais preciosos tendem a ficar sobrevalorizadas.

Dessa forma, possuir metais preciosos durante as crises acaba sendo sempre um ponto positivo. Contudo, caso o investidor opte por ter esse ativo enquanto hedge da sua carteira, a melhor opção é comprar esses ativos em momentos de calma nos mercados e assim se proteger para momentos de tensão.

Vinicius Brandao

Por Vinicius Brandao

É economista e autor no blog Caminho para Riqueza.

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