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Perspectivas para o mercado de cannabis no Brasil e no mundo

O investimento em cannabis ou maconha cresceu na Bolsa americana e chegou a pouco no mercado financeiro brasileiro. Lá fora, no exterior, é possível investir neste mercado através de ativos como ações, ETFs e fundos de investimentos. Além do mais vários índices acompanham o mercado de cannabis ou maconha.

O uso medicinal da erva

Já é possível afirmar que há uma onda mundial de legalização ou ao menos de descriminalização do uso da maconha. Essa onda vem expandindo o mercado de cannabis no mundo. Inúmeros países do mundo já legalizaram o uso medicinal dessa erva, enquanto alguns outros já legalizaram inclusive o uso recreativo.

Investimentos financeiros

Esse movimento global também está impactando os investimentos financeiros, dado os novos produtos, como fundos ligados à cannabis que estão aparecendo no mercado.

Fundos de investimentos

Em relação a fundos de investimentos e mercado acionário, o maior mercado está nos Estados Unidos, contudo no Brasil já está em curso uma entrada nesse mercado. Além de fundos de investimento recém-criados, o Brasil legalizou em dezembro 2019 o uso medicinal da cannabis, o que possibilitará a empresas do ramo farmacêutico produzir medicamentos a base do canabidiol em solo brasileiro.

Expansão do mercado da cannabis

A legalização do uso da cannabis ao redor do mundo vem ganhando cada vez mais espaço, sobretudo nos países do ocidente. Canadá e Uruguai, por exemplo, são países nos quais o uso recreativo da planta já é legalizado no país inteiro. Outros casos como Estados Unidos, uma grande parte dos Estados já permitem o uso recreativo, enquanto apenas 3 estados não permitem nem ao menos o uso medicinal.

Esse movimento de expansão da legalização da cannabis está longe de se encerrar. Uma série de países está debatendo uma abertura maior desse mercado. No caso da Europa, por exemplo, muitos países já possuem alguma forma de legalização.

Uso medicinal

Maconha como remedio cannabis canabidiol investimentos

Há países no velho continente, nos quais a maconha é liberada apenas para uso medicinal, como Portugal, Alemanha e Itália, por exemplo. Em outros a maconha para uso recreativo é liberada com restrições, como no caso da Espanha, país no qual é possível formar grupos para cultivar a planta para consumo próprio, ou então o caso da Holanda, no qual é possível consumir produtos a base de maconha em estabelecimentos especializados.

Esse movimento mundial de legalização da maconha ou ao menos da descriminalização da planta cria naturalmente uma tendência de expansão na movimentação financeira desse mercado.

Estimativa de crescimento

A provedora de pesquisa de mercado, Euromonitor, estima que em um espaço de sete anos, entre 2018 e 2025, o mercado de cannabis cresça 1.200%. Ao passo que no ano de 2018 esse mercado movimentou cerca de US$ 12 bilhões, a estimativa para 2025 é que movimente cerca de US$ 166 bilhões.

Mercado da Cannabis nos Estados Unidos

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Apesar da cannabis ainda não ser legalizada totalmente nos Estados Unidos, esse é o país que mais se destaca no período recente de expansão desse mercado. Atualmente, 11 Estados norte-americanos permitem o uso recreativo da erva (Califórnia, Colocado, Oregon, Maine, Michigan, Washington, Massachusetts, Nevada, Vermont, Alasca e Illinois). Enquanto apenas 3 estados (Nebraska, Dakota do Norte e Idaho) ainda proíbem qualquer forma de uso da erva.

A tendência é que os três estados que não permitem nem ao menos o uso medicinal legalize essa forma de uso no ano de 2020. Além disso, há uma movimentação em uma série de outros Estados para regularizar o uso recreativo da erva.

Essa tendência além de refletir uma mudança cultural na forma de enxergar o uso da maconha pela sociedade reflete também a exploração de um mercado potencial que estava reprimido com a proibição.

Expansão dos produtos a base de cannabis no EUA

Nos Estados americanos nos quais o uso recreativo já é legalizado se encontra uma gama variada dos produtos comercializados a base de cannabis. Além da erva utilizado para confecção de cigarros, é facilmente encontrado chocolates, cookies, farofa para utilizar nas refeições, etc.

Na área medicinal se produzem também produtos variados. Desde óleo vaporizador, cremes para alívio de dores musculares até remédio para doenças mais graves como epilepsia ou doenças psicológicas como ansiedade e estresse.

A legalização fomentou um mercado pouco explorado e abriu portas tanto para uma expansão do mercado consumidor quanto para investimentos e boas oportunidades de negócios. E esses novos negócios vão desde pequenos comércios especializados em produtos do tipo até restaurantes em grandes cidades com produtos à base do canabidiol.

Mercado de cannabis no Canadá

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O Canadá foi o segundo país a legalizar de forma nacional o uso recreativo da maconha, á segundo o exemplo do Uruguai em 2013. No mercado canadense é relativamente extenso, assim como nos Estados americanos supracitados há estabelecimentos especializados no comércio de produtos a base de canabidiol e THC.

Apesar de a legislação federal legalizar a planta, há algumas diferenças dependendo da região do Canadá. Há regiões nas quais não são permitidas a comercialização por estabelecimentos privados, há também pequenas diferenças em relação à idade mínima para adquirir produtos desse tipo, em algumas províncias é 18 anos e em outros 19 anos.

Um ponto a ser destacado é o aumento da arrecadação de impostos no pouco tempo em que a nova lei está em vigor. Em apenas seis meses a arrecadação pública oriunda da comercialização de produtos baseados na cannabis foi de US$ 139 milhões. E a previsão é que esse número continue se expandindo.

Expansão do mercado de cannabis no resto do mundo

No continente europeu ainda não há nenhum país que tenha legalizado o uso recreativo mas essa é uma pauta constante de debate em boa parte da Europa. Compreende-se que como os países possuem um fluxo mais livre de pessoas e mercadorias devido à União Europeia, caso os maiores países como Alemanha e França legalizem a cannabis, tende a haver uma legalização em massa no continente.

Na América do Sul, apenas o Uruguai possui o uso recreativo legalizado, apesar de o comércio ser restrito a cidadãos uruguaios. Dada essa restrição à cidadãos uruguaios e ser uma população relativamente pequena, o mercado de cannabis no Uruguai é relativamente pequeno.

Além do Uruguai, em vários outros países da América do Sul o uso medicinal já é legalizado como Colômbia, Argentina, Peru e recentemente Brasil. E em muitos desses países a posse de pequenas quantidades não configura crime, ou seja, a maconha é descriminalizada. Esse fato ajuda a demonstrar uma tendência de mudança cultural na forma de se enxergar o uso dessa substância.

O mercado oriental ainda possui uma maior resistência, sobretudo devido a um maior conservadorismo cultural. Dessa forma, o fato do mercado da cannabis não conseguir atingir uma parcela importante da população mundial, ao menos no curto prazo, é um ponto a ser levado em conta no momento da decisão de um investimento no setor.

Cannabis e mercado financeiro

As empresas que produzem produtos á base de cannabis estão ganhando espaço não só entre os consumidores, mas também entre os investidores. Na bolsa dos Estados Unidos já são inúmeras as empresas do setor listadas.

As principais empresas ainda são do ramo farmacêutico, mas já é possível encontrar empresas baseadas na produção de itens para uso recreativo. Um ponto a ser levado em questão é que como a lei federal ainda não legaliza o uso recreativo, as empresas só podem ser listadas caso não façam produtos com THC, a substância que contém psicotrópicos. Apenas produtos a base de canabidiol são permitidos.

A origem dessas empresas é do próprio Estados Unidos e do Canadá. Em geral, muitas empresas que já produziam produtos naturais passaram a produzir também produtos com base no canabidiol. Dessa forma, algumas dessas empresas listadas já possuíam entrada no mercado, o que facilitou esse movimento.

Já existem inclusive ETFs que acompanham as ações desse setor. Inclusive a BlackRock uma das maiores gestoras do mundo está em processo de estudo para criar também um ETF desse gênero no Brasil. Dado o potencial e o tamanho dessa gestora, esse movimento tenderia a expandir ainda mais os investidores desse setor.

Mercado de cannabis no Brasil

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A ANVISA (Agência de Vigilância Sanitária) regulamentou no último mês a cannabis medicinal no Brasil. Dessa forma, empresas farmacêuticas podem produzir remédio a base do canabidiol no Brasil desde então.

Antes dessa regulamentação já era possível importar medicamentos do gênero. Todavia, esses produtos costumam ter preços elevados e a importação dos mesmos deixava esses itens ainda mais caros para o consumidor. O medicamente mais importado era um destinado ao tratamento de epilepsia e tinha custo acima dos R$ 2.000,00.

Estava em discussão também a possibilidade das empresas farmacêuticas de cultivarem plantações próprias para uso nos laboratórios. Esse tema tende a ter disputas judiciais, apesar da ANVISA ter vetado esse item, alguns laboratórios já ganharam na justiça o direito de cultivarem plantações com a finalidade de produzir seus medicamentos.

Farmacêuticas que atuam no Brasil tem grande mercado potencial

Como apontado anteriormente, são muitas as doenças com possibilidade de serem tratadas com remédios a base do canabidiol. Dessa forma, os laboratórios que lançarem esses produtos no mercado tendem a atender a uma demanda reprimida.

Essa demanda tende a ser razoavelmente grande por alguns motivos:

  1. Os consumidores que importavam esses produtos passarão a comprar os de origem nacional devido ao menor custo;
  2. A legalização tende a aumentar o conhecimento da população em geral sobre esses produtos, fator que tende a aumentar a procura por esses produtos;
  3. A redução dos custos e consequentemente do preço desses produtos possibilita que a parcela da população que não tinha acesso devido ao alto custo passe a comprar esses produtos.

Dessa forma, esse mercado nacional ainda é incipiente, é importante estar atento às movimentações dos laboratórios. Além disso, dado o exemplo americano, é possível que surjam laboratórios especializados nesses produtos. Portanto, é possível que em um período próximo surjam IPO’s relacionados a laboratórios desse setor.

Como investir no mercado de cannabis no Brasil?

Ainda não é possível investir nas empresas que produzirão medicamentos a base de cannabis via bolsa de valores do Brasil. Todavia, algumas corretoras brasileiras estão disponibilizando fundos de investimento que investem em empresas desse setor do mercado dos Estados Unidos.

Fundos da Vitreo

A gestora de investimentos Vitreo criou dois fundos de investimentos voltados para o mercado da cannabis:

  • Canabidiol FIA IE
  • Canabidiol Light FIC FIM
Assessoria de Investimentos

Fundo Canabidiol FIA IE

O primeiro fundo, Canabidiol FIA IE, é destinado a investidores qualificados, ou seja só é possível aplicar nesse fundo investidores que possuem investimentos de no mínimo R$ 1 milhão.

Esse fundo pode investir todo o patrimônio em ações no exterior, esse inclusive é um dos motivos para ser considerado um investimento de alto risco. Por esse motivo, esse fundo é exclusivo para investidores qualificados.

Fundo Canabidiol Light FIC FIM

O segundo fundo, Canabidiol Light FIC FIM, é aberto para o público em geral. Esse fundo investe 20% do seu patrimônio em cotas do Canabidiol FIA IE e o restante do patrimônio em títulos públicos pós-fixados.

Dessa forma, esse fundo possui um nível de risco menor que o primeiro. Apesar disso ele ainda é um fundo de médio risco, mas pode ser acessado por qualquer investidor.

Ambos os fundos possuem um risco em comum que é o risco de exposição ao dólar. Dessa forma, caso haja uma valorização do real em relação ao dólar isso gerará perdas para o investidor.

Fundo XP – Trend Cannabis

A XP Investimentos também lançou um fundo para investidores que querem aplicar no mercado relacionado á cannabis. No caso do Fundo da XP, o Trend Cannabis, ele investe em um ETF listado na bolsa dos Estados Unidos. O ETF é o ETFMG Alternative Harvest relacionado à indústria de canabidiol dos Estados Unidos e Canadá.

Esse fundo é mais indicado para investidores que não querem tomar o risco cambial, dado que esse fundo possui um hedge cambial. Além disso, a aplicação mínima é de R$ 500 e a taxa de administração de 0,5% ao ano.

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O mercado da cannabis possui potencial de valorização?

Antecipar uma movimentação do mercado global ou até mesmo visualizar o crescimento de uma mudança de hábitos ou de costumes é provavelmente o sonho da maior parte dos investidores. Jim Rogers, um dos maiores investidores do mundo, costuma falar que o sucesso dele nos investimentos foi justamente quando ele antecipou movimentos históricos de mudanças nos hábitos ou mudança no modo de consumo da população.

O mercado relacionado à cannabis se apresenta como uma oportunidade desse tipo. O fato de ser um mercado restrito que já possui um consumo ilegal ao redor do mundo facilita a análise sobre o tamanho da demanda desse produto ao redor do mundo. Contudo, o principal movimento é relacionado á legalização.

Como apontado, cada vez mais países estão debatendo o tema e eliminando restrições nesse mercado, tanto em caráter medicinal quanto em caráter recreativo. É possível ver na bolsa de valores americana, em relação ao mercado de cannabis medicinal, que a expansão é latente.

Cada vez mais investidores estão procurando esse mercado, justamente porque estão vislumbrando que cada vez mais o consumo desse item irá aumentar. Além disso, com o aumento da legalização é natural que haja um aumento nas pesquisas sobre os efeitos do uso, o que pode possibilitar a criação de novos medicamentos para tratar doenças variadas.

Investimento para o longo prazo

Investir no mercado de cannabis não é como apenas investir em um setor da economia, é um investimento em uma mudança geracional de hábitos, costumes e crenças. Uma mudança desse tipo pode levar tempo para maturar. Dessa forma, é necessário paciência nesse tipo de investimento.

Investimento em fundos

O investimento em fundos que acompanham indicadores relacionados à empresas que produzam mercadorias a base de canabidiol podem incorrer em lucros inclusive no curto prazo mas tendem a ter um maior potencial no futuro com a expansão do mercado.

Dessa forma, no momento de realizar a análise é importante estar atento às condições das empresas e do mercado em si, mas também da conjuntura como um todo. Portanto, a expectativa de maior liberdade para consumo desses produtos ao redor do mundo tende a gerar um aumento do montante que gira em torno desse mercado.

Além disso, o efeito contágio de um país ou região para outra é um item importante. A influência dos Estados Unidos  e dos principais países da Europa na cultura mundial também são pontos que impactam nesse mercado.

Benefícios do mercado de cannabis para a arrecadação pública

Um ponto que deve ser levado em conta para o bem e para o mal nesse novo mercado é a tributação. À exemplo do Canadá é comum que a legalização da maconha tanto para fins medicinais quanto para fins recreativos gere um incremento na arrecadação dos países e regiões que passarem a ter um aumento no comércio legal desses produtos.

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Tributação

É comum que a tributação sobre produtos desse tipo, para uso recreativo, seja relativamente alta. Essa tributação tende a seguir o exemplo do álcool e do tabaco que costuma ter uma alta tributação para desincentivar o consumo. Além disso, é comum que países vinculem a renda originária desse comércio para o Ministério da Saúde.

Dessa forma, em tempos de baixo crescimento econômico em muitos países do mundo, o mercado potencial desse produto para os cofres públicos podem ser um incentivo ainda maior para esse movimento de liberalização da cannabis.

Por outro lado, é importante levar em conta que essa tributação afeta os rendimentos desse mercado. Portanto, para realizar as análises desse tipo, é essencial levar esses pontos em consideração. No caso da cannabis medicinal o impacto é diferente, dado que a tributação costuma ser menor ou até mesmo possuir produção subsidiada.  

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Vinicius Brandao

Por Vinicius Brandao

É economista e autor no blog Caminho para Riqueza.

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