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Os ensinamentos de Luiz Barsi que vão melhorar sua forma de investir

Luiz Barsi é, sem sombra de dúvidas, um dos maiores investidores pessoa física no mercado financeiro brasileiro. Com mais de 50 anos de experiência com investimentos, além da sua trajetória ser fonte de inspiração para todos que desejam seguir um caminho parecido, os conceitos nos investimentos e na vida são lições que podem colaborar com todo investidor, principalmente os iniciantes.

Quem é o investidor Luiz Barsi?

Quem e Luiz Barsi

Luiz Barsi mostra que além de ter alguns conceitos importantes, que possibilitam melhores análises e evitar erros desnecessários em decisões de investimentos, também mostra que alguns valores cotidianos facilitam o sucesso.Principalmente em relação à simplicidade e a calma, o que pode evitar decisões precipitadas e ansiedade por resultados grandiosos de forma imediata.

Origem e carreira do Barsi

Luiz Barsi é brasileiro, filho de imigrantes, nascido em 10 de março de 1939. A formação acadêmica de Barsi é ampla, possui formação em Estrutura e Análise de Balanços, bem como Direito e Economia.

Em sua carreira profissional, é possível listar algumas posições relevantes que ele ocupou, como editor de Economia e Mercado de Capitais do Jornal Diário Popular, Membro da Diretoria do Conselho Regional de Economia do Estado de São Paulo (CORECON-SP), bem como membro do Conselho de Administração da Eternit e da Unipar / Carbocloro.

Trajetória no mercado financeiro

Com relação à sua trajetória no mercado financeiro, Barsi começou a investir ainda jovem, durante a década de 60, quando o mercado financeiro no Brasil ainda era bem menos estruturado do que é hoje. O objetivo de Barsi nessa época era formar uma carteira de investimentos de caráter previdenciário, ou seja, basicamente formar uma reserva de valor que possibilitasse uma vida um pouco mais tranquila e confortável no futuro e que não dependesse única e exclusivamente da previdência pública.

Os objetivos de um investidor

Como é possível verificar, os objetivos de Barsi ao investir no mercado financeiro não tinham nenhum caráter exagerado, basicamente almejava objetivos similares a muitos brasileiros que também enxergam na bolsa de valores, uma forma de melhoria de vida, mesmo que apenas para um futuro não tão próximo. As dificuldades geradas pela crise econômica brasileira e a nova previdência que está sendo implantada no Brasil, provavelmente levará ainda mais investidores ao mercado financeiro, em busca de objetivos similares.

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Hábitos de vida também colaboram para os investimentos

Uma das qualidades de Luiz Barsi, qualidade essa que ele costuma recomendar aos investidores em suas entrevistas, é a paciência. Barsi começou a investir há mais de 50 anos no mercado financeiro, com objetivos pequenos e alcançou muito mais que isso. O próprio Barsi enxerga que se não fosse a paciência talvez não tivesse logrado tanto êxito nessa empreitada.

Paciência

A paciência é uma qualidade a ser levada em conta justamente pela forma como Barsi costuma investir. Ou seja, esse requisito é usado tanto para a maturação do investimento quanto para a análise prévia dos papeis a serem comprados. Esse conceito está justamente alinhado com o value investing, além dos investimentos baseados em uma análise fundamentalista.

Value Investing

O investimento em value investing, ou em uma tradução livre, investimento em valor, busca ativos consistentes, de empresas que possuam boas características, bons fundamentos. Normalmente, investidores que investem dessa maneira, costuma esperar ocasiões nas quais ações de empresas que possuem boas características estão subvalorizadas no mercado.

Fundamentos e valor

Esse conceito é utilizado baseado em uma compreensão na qual, caso uma empresa seja realmente dotada de valor, possua bons fundamentos, boa gestão, o fato de em algum momento sua ação sofrer algum tipo de desvalorização não significa que a empresa diminuiu suas qualidades. Dessa forma, a tendência é que o preço da ação acabe voltando para o seu patamar normal.

Peter Lynch é outro grande investidor que sabiamente utilizou os fundamentos de valor para investir em ações e ganhar muitos milhões para seus clientes no Magellan Fund.

Crises: risco ou oportunidade?

Nessa linha de pensamento, Barsi também costuma afirmar que as crises acabam virando ótimas oportunidades de adquirir bons ativos a preços baixos. Como nessas situações costuma haver uma espécie de caos geral em relação ao mercado financeiro, mesmo empresas com bons fundamentos acabam tendo os preços das suas ações afetados negativamente.

Crise de 2008

Dessa forma, é imprescindível aos investidores estarem atentos a esses momentos, pois alguns como a crise de 2008 e a atual crise brasileira podem ser mais duradouros, mas outros podem ter um período mais curto. Como por exemplo, em novembro de 2018 quando houve uma tensão em relação à economia da Turquia e isso afetou durante cerca de duas semanas as bolsas de valores dos países em desenvolvimento, incluindo o Brasil.

Lembrando que na crise de 2008 o investidor Michael Burry ganhou milhões apostando contra, praticamente, todo o mercado financeiro.

Análise prévia e bastante leitura

Quando perguntado sobre como encontrar novas oportunidades de investimentos, Luiz Barsi é enfático, é necessário muita pesquisa e leitura para encontrar (boas) novas oportunidades de investimentos no mercado.

Sobre os movimentos da Bolsa, Barsi diz o seguinte:

Sobe no boato e cai no fato. (L .Barsi)

Outra frase sua sobre a Bolsa e também muito significativa é:

O Ibovespa não reflete de fato como está todo o mercado. Ele reflete algumas ações que são bastante especuladas. (Luiz Barsi)

São pensamentos que facilmente poderiam constar num livro de Luiz Barsi.

Bom investidor

A leitura e pesquisa constante, independente do momento ou da conjuntura favorece o bom investidor, dado que ele está sempre antenado sobre os setores que possuem bons fundamentos ou empresas que estão melhorando suas práticas de gestão empresarial. Além de favorecer, uma compreensão melhor de conjuntura.

Momentos específicos

Por exemplo, em momentos nos quais produtos de previdência privada tendem a ter um aumento de demanda, é normal que as instituições financeiras sejam valorizadas ou então em casos de aumento dos investimentos em aeroportos, visando um maior fluxo de passageiros, há uma maior chance das companhias que operam lojas de free shop em aeroportos possuírem resultados melhores.

Indicadores das empresas

Mas, como apontado anteriormente, inclusive por Barsi, é importante estar atento aos indicadores das empresas em si, dado que a conjuntura econômica pode favorecer, mas as empresas devem estar preparadas para tirarem proveito desse momento.

Análise facilitada

Nessa lógica, Barsi também costuma afirmar, que com a maior abertura das informações das empresas e também devido a internet, na qual as informações acabam se tornando de mais fácil acesso, essa análise é facilitada.

Dessa forma, não há motivos para que os investidores não estejam sempre pesquisando para aproveitar oportunidades que podem surgir a qualquer momento.

O que Barsi pensa sobre os IPO’s?

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Ainda sobre novas oportunidades de investimentos, os IPO’s não enchem os olhos de Luiz Barsi. Ele entende que uma empresa de valor necessita estar consolidada no mercado e que na maioria dos casos os IPO’s são supervalorizados e as empresas entrantes acabam não alcançando resultados superiores às empresas já em atividade naquele setor.

Sobre abertura de capital

Barsi afirma ainda que a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) deveria ser mais rígida com relação à abertura de capital na bolsa. Ele entende que a empresa tem que apresentar fundamentos já elaborados, com estudos e plano de trabalho extremamente consistentes, na qual a capitalização realizada a partir do IPO possa de fato possibilitar o crescimento daquela empresa.

Esse maior rigor, na visão dele, possibilitaria que houvesse uma diminuição da venda de ilusão que muitas vezes são os IPO’s. Nos quais, as análises do setor, da empresa e os fundamentos que fortalecem um bom investimento são deixados de lado no momento da tomada de decisão.

Quais são os setores preferidos para Luiz Barsi?

Barsi entende que há setores na economia como um todo que são perenes, ou seja, a sociedade não consegue viver sem eles e dessa forma eles são imprescindíveis. Entre os setores sempre citados por ele, estão os serviços bancários, setor de energia elétrica como um todo, seja geração, transmissão ou distribuição, bem como setor de papel e celulose.

Setores de consumo intermitentes

Na sociedade moderna, tais serviços são imprescindíveis para a imensa maioria da população brasileira e mundial. Inclusive alguns desses são setores de consumo intermitentes, ou seja, não é possível abdicar deles. Por exemplo, caso haja necessidade de uma viagem longa, na qual a casa fique vaga algum tempo, mesmo assim a conta de luz continuará sendo paga. A mesma lógica vale para o serviços bancários.

Dessa forma, Barsi compreende que é necessário estar sempre atento às movimentações nesses setores, principalmente para momentos oportunos, onde os preços dessas ações estejam abaixo do que valem.

Análise das empresas

Contudo, ele também ressalta a necessidade de diferenciar, setores perenes e as empresas que compõe esses mercados. Nem todas as empresas que atuam nesses setores estão aptas à condição de empresas estáveis com boas práticas de gestão e potencial de crescimento e/ou manutenção da sua posição no mercado.

Nesse sentido, o próprio Barsi indica algumas companhias que ele considera estáveis e merecem sempre atenção, como Eletrobrás, Transmissão Paulista, Banco do Brasil, Ultrapar, Suzano, Eternit e Unipar. Dado que essas empresas além de atuarem em setores perenes possuem consistência ao longo do tempo.

Investimentos em dividendos

Alinhado com o pensamento acerca de empresas sustentáveis a longo prazo, Luiz Barsi também costuma atuar bastante sob a perspectiva de investimentos baseados em dividendos.

Uma das principais recomendações dele é o investimento de longo prazo. Nessa lógica, deve-se visar empresas que possuam um bom histórico de pagamento de dividendos e que esses sejam constantes. Dessa forma, é possível auferir renda constante a partir dos investimentos realizados em ações.

Não a especulação financeira

Essa recomendação vai justamente de encontro com a prática da especulação financeira, a qual Barsi recomenda uma estratégia muito arriscada e que em geral tende a gerar prejuízos para a maioria dos investidores.

Ele afirma que comprar uma ação, com o único intuito de vende-la por um valor maior em futuro próximo tende a gerar perdas e isso não seria um investimento, seria basicamente um ato especulativo.

Os investimentos devem ser contínuos e não pontuais

Barsi incentiva que mesmo que o montante inicial disponível para investimentos seja pequeno, esse montante deve ser investido. Dessa forma, independente do tamanho é importante começar os investimentos e ao longo do tempo ir aumentando-os.

Investimento baseado em dividendos

Essa lógica se encaixa exatamente na ideia dele de investimento baseado em dividendos. Barsi defende que os dividendos recebidos a partir dos investimentos devem ser reinvestidos.

Além dos dividendos, ele recomenda separar uma parcela mensal da renda para essa continuidade nos investimentos, como se fosse uma poupança forçada, mas que atuando como investidor tende a gerar mais ganhos no futuro.

Nada de curto prazo

Ainda nesse ponto da estratégia de Barsi, ele costuma afirmar que é necessário ter em mente que o dinheiro investido não seja usado ao menos em um curto prazo. Não há dúvidas, que todos estão sujeitos a imprevistos, todavia, o ponto abordado nesse tipo de pensamento é em relação ao horizonte de investimento, ou seja, sempre pensar em algo que será gerado para um futuro melhor.

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Setores que Barsi costuma evitar realizar investimentos

Além dos setores supracitados, os quais Barsi considera perenes e imprescindíveis para a vida cotidiana das pessoas e consequentemente sustentáveis a longo prazo, ele também aborda setores os quais, ele costuma evitar, ele cita especificamente cinco:

  1. Setor de aviação;
  2. Setor de construção;
  3. Turismo;
  4. Frigoríficos;
  5. Varejo comércio eletrônico

Setores com demanda instável e descontínua

O ponto em comum entre todos esses setores citados por Barsi é justamente o fato da demanda deles não ser estável e contínua. Contudo, há outras especificidades abordadas por ele.

Setor de aviação

Em relação ao setor de aviação, ele aponta que é um setor muito dependente de fatores externos às decisões gerenciais das empresas, como por exemplo, depende das condições de aeroportos, preço de combustível, manutenção das aeronaves que geralmente dependem de peças oriundas do exterior. Além disso, é um setor cuja a demanda é inconstante, em casos de uma redução de renda da população, os gastos com viagens costumam ser um dos primeiros itens a serem cortados do orçamento.

Setor de construção

No que tange ao setor de construção, ele afirma que é um setor que não costuma possuir capital próprio e depende muito da política de financiamento vigente, dessa forma, é mais difícil analisar a real situação de uma empresa desse setor. Além disso, ele afirma que é um setor muito suscetível aos ciclos econômicos. Ele aponta que da mesma forma que houve um boom da construção civil em determinado período, com o fim do ciclo esse setor acaba sofrendo uma perda muito grande e tende ao declínio ou à estagnação.

Setor de turismo

O terceiro setor que ele busca evitar é o de turismo. Os pontos negativos desse setor se aproximam um pouco em relação aos do setor de aviação, seja pela dependência do câmbio, principalmente para as agências que operam viagens ao exterior, seja por ser um item do orçamento das famílias que costuma ser o primeiro a ser cortado em caso de alguma eventualidade negativa em relação à renda.

Muita instabilidade

Além disso, o setor de turismo na atualidade passa por reinvenção para se adaptar às inovações do mundo digital. Com a criação de aplicativos que oferecem hospedagens mais baratas e com atributos que podem ser considerados mais vantajosos pelo consumidor como independência e até mais conforto, além de momentos de barateamento das passagens aéreas, tendem a afetar negativamente as agências de turismo, por esse motivo, é um setor que ele costuma evitar.

Setor de frigorífico

Com relação ao setor de frigorífico, apesar de ser relacionado à alimentação, o qual em tese seria um setor cuja o consumo é contínuo e necessário, ele aponta que como os grandes frigoríficos dependem também de exportação e não é incomum o sofrimento de sanções devido a doenças nos animais como febre aftosa, por exemplo, podem gerar perdas que é difícil de prever. Além disso, ele aponta para uma nova cultura de proteção aos animais, aumento do vegetarianismo e veganismo, dessa forma há também uma nova onda de rechaço à morte dos animais, o que tende a enfraquecer esse setor.

Setor de ecommerce

Por fim, ele também aponta que costuma evitar o setor de varejo relacionado a comércio eletrônico. Barsi afirma que esse setor também sofre com os ciclos econômicos, apesar da renovação de modelos desse tipo de produto acontecer com frequência, em momentos de queda da demanda não é imprescindível adquirir um produto desses. Portanto, a demanda não é contínua e tende a passar por momentos de instabilidade.

Simplicidade como característica para o sucesso nos investimentos

Luiz Barsi é sempre solícito a entrevistas e a realizar comentários acerca das suas estratégias de investimento e mostrar como ele se tornou um dos maiores investidores pessoa física do Brasil. Mas além das estratégias que ele aplica no dia-a-dia, as práticas que ele utiliza para se preparar antes de realizar um investimento, ele costuma apontar uma característica pessoal como um dos motivos do seu sucesso: a simplicidade.

Conto de fadas do consumismo

Uma das características que ele gosta de defender é não consumir ou ostentar algo porque pode consumir e sim caso necessite. Sem dúvidas nenhuma, ele não condena que alguém que a partir dos seus rendimentos ganhos de forma honesta consuma aquilo que bem entender. Todavia ele aponta para que não se caia no conto de fadas do consumismo.

Sem gastos supérfluos

luiz barsi e sua filha no metro

Luiz Barsi entende que é muito melhor priorizar os investimentos ao invés de realizar gastos supérfluos. E isso não é visto apenas no seu discurso mas também na sua prática, apesar de ter renda e patrimônio suficiente para ter um carro e talvez até mesmo um motorista particular, Barsi prefere se dirigir ao trabalho de transporte público, no caso dele especificamente, de metrô.

Afago ao ego

Outro ponto que ele aborda em relação ao consumismo é não adquirir produtos pela marca, ou seja, não pagar preços exorbitantes para se apresentar como um patrocinador ou mostruário de determinada empresa. Segundo ele, esse tipo de atitude serve mais como um afago ao ego e não como a satisfação de uma necessidade real humana.

Controle do ego e ficar rico

Ele aponta que o controle do ego, é sem dúvidas, uma qualidade que pode aumentar as possibilidade de alguém ficar rico, dado que possibilitará ter mais espaço de renda para realizar os investimentos corretos.

Esse exemplo de valor cotidiano de Luiz Barsi, bem como a descrição das suas estratégias de investimento contribuem para melhorar os nossos horizontes na hora de investir e no momento de repensar nossas práticas. Exemplos como esse colaboram para incentivar tanto pequenos como médios a investidores a sempre trabalhar com responsabilidade para auferir os melhores rendimentos possíveis a partir de uma rotina de investimentos.

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Por Vinicius Brandao

É economista e autor no blog Caminho para Riqueza.

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