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Luiz Alves Paes de Barros: Como sua trajetória inspira os investidores

Apesar da bolsa de valores brasileiras existir de alguma forma desde a última década do século XIX, apenas a partir da década de 1970 ela passou a ter mais destaque na economia brasileira. Entre os grandes investidores que permanecem investindo na Bovespa desde esse período até os dias atuais está Luiz Alves Paes de Barros.

Luiz Alves Paes de Barros, é um dos maiores investidores pessoa física do Brasil, se não o maior. Todavia, nos últimos anos também passou a ter mais destaque devido a ser um dos fundadores do Fundo Alaska, junto com o gestor Henrique Bredda, que vem tendo uma posição importante no mercado brasileiro. Apesar desse destaque, ele tem um perfil discreto e aparece pouco na mídia.

O prazer de ganhar

Luiz Alves Paes de Barros é um grande investidor brasileiro que construiu basicamente toda sua fortuna investindo na bolsa de valores. Segundo as suas próprias palavras, o prazer de ganhar vale muito e isso é o que faz com que ele mesmo já tendo passado dos 70 anos continue na ativa dentro do mercado e até se envolvendo em projetos maiores como o Fundo Alaska.

Segundo as palavras dele:

Dinheiro você precisa do suficiente para viver bem, depois que você tem mais do que isso ele não serve para mais nada. Mas o prazer de ganhar é que vale muito, eu quero estar na frente.
(Luiz Alves Paes de Barros)

Quem é Luiz Alves Paes de Barros?

Luiz Alves Paes de Barros é um dos maiores investidores da Bolsa de Valores de São Paulo ao lado de Luiz Barsi. Apesar de ser originário de uma família rica, Luiz Alves construiu basicamente todo seu patrimônio investindo na bolsa. Inclusive, ele aponta que a maior parte de sua família perdeu boa parte do patrimônio dado que não tomaram boas decisões sobre como alocar esse dinheiro.

Apesar de estar no grupo seleto de bilionários brasileiros, esse investidor não costuma aparecer muito na mídia e possui um perfil discreto. Em algumas ocasiões inclusive, foi apelidado de bilionário fantasma, dado que poucas pessoas conheciam quem ele era.

Início dos investimentos em Bolsa

Luiz Alves começou cedo na bolsa, aos 16 anos já realizou seu primeiro investimento, mas começou a investir seriamente a partir dos 20 anos. Foi obtendo sucesso ao longo do tempo, mas sempre de forma muita discreta sem chamar muita atenção. Ele costuma apontar que a bolsa de valores é a melhor alternativa para conseguir a independência financeira.

Ele é um investidor que tem gana por investir na bolsa de valores. Em uma entrevista na qual ele fala sobre o sonho que teve durante a juventude de se tornar ator mas acabou desistindo. Sobre essa escolha ele costuma apontar que “a vida na bolsa de valores é mais bonita”.

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Investidor histórico da Bovespa

 A história da Bovespa e de grandes investidores como Luiz Alves Paes de Barros e Luiz Barsi se cruzam. Apesar da bolsa de valores brasileira ter sido fundada ainda no século XIX, ela possuía um volume de negociações reduzidas e nos primeiros anos funcionava basicamente como mecanismo para operar venda futura de café e outras commodities.

Durante muito tempo houveram bolsas em todos os estados da federação, a Bolsa de Valores São Paulo inclusive passa a ter essa denominação apenas em 1966, período no qual também deixou de ser administrada pelo Governo do Estado. A Bolsa de Valores do Rio de Janeiro (BOVERJ) inclusive foi a mais importante até a década de 1970, apenas nessa década que a Bovespa passa a ser a principal bolsa brasileira.

Contudo, no ano 2000, as Bolsas de São Paulo e Rio de Janeiro lideram uma fusão com as outras 7 bolsas remanescentes no Brasil, eram elas

  • Minas Gerais, Espírito Santos e Distrito Federal;
  • Extremo Sul;
  • Bahia, Sergipe e Alagoas;
  • Pernambuco;
  • Paraíba;
  • Santos/SP;
  • Paraná.

Nesse acordo, todas as empresas de capital aberto seriam negociadas na bolsa de valores de São Paulo e os títulos públicos seriam negociados via mercado eletrônico na BOVERJ. Contudo, a BOVERJ foi incorporada pela BM&F em 2002 e em 2008 a BOVESPA e a BM&F se fundem e passam a ser a única bolsa de valores brasileira.

Diferenças entre a bolsa de valores atual e década atrás

Luiz Alves não hesita em falar que a Bolsa de Valores atual é um conto de fadas para os investidores. Segundo ele na década de 1970, o mercado financeiro era como estar na selva, todavia uma selva de pedra.

Nessa época, segundo Luiz Alves, era difícil até conseguir um balanço de uma companhia para realizar uma análise. Ele aponta que era necessário ir até a sede da bolsa no centro de São Paulo e pagar algum funcionário da bolsa de valores para que ele tirasse cópias dos balanços publicados pelas empresas.

Além disso, ele aponta que com a democratização do acesso ao mercado financeiro é mais fácil tanto para investidores como para gestores encontrarem boas oportunidades de negócios. Como no passado era um círculo mais fechado, o mercado era restrito e era mais difícil encontrar pessoas boas para realizar parcerias vantajosas.

Ele apenas realiza uma ressalva em realização à modernização, a qual é em relação aos robôs utilizados por algumas empresas para realizarem operações no mercado. Ele afirma que isso não faz sentido, pois são operações sem fundamentos. Além disso, ele afirma categoricamente que tem uma performance melhor de carteira que qualquer robô.

Primeira grande parceria

Já com um patrimônio consolidado, Luiz Alves Paes de Barros junto com o Luís Stuhberger criaram durante a década de 1980 o Credit Suisse Hedging-Griffo, um private banking focado em gerir ativos de alto valor.

Ele obteve um sucesso financeiro relevante com essa empreitada mas durante a maior parte da sua vida continuou focado nos seus investimentos pessoais. Criou até mesmo um fundo de investimento exclusivo, o Poland, para administrar o seu patrimônio, da esposa e dos filhos.

Fundo Alaska: Como começou esse projeto?

Apesar de passar a maior parte da sua vida apenas administrando o seu próprio capital, Luiz Alves Paes de Barros resolveu entrar em uma empreitada junto com Henrique Bredda. Segundo ambos, a parceria foi fácil de acontecer porque ambos pensam muito parecido com relação à lógica de investir e dessa forma haveria uma confiança mútua.

Em um primeiro momento, a ideia da sociedade era apenas gerir o capital próprio, da família e no máximo de amigos próximos. Contudo, eles acabaram por decidir que aquele projeto deveria ser aberto para outros investidores aportarem seu capital no Alaska.

A partir desse momento, portanto, Luiz Alves passa de um investidor praticamente individual para sócio de um dos fundos de investimentos brasileiro que mais possuem cotistas. O sucesso do fundo inclusive acabou tirando um pouco esse investidor do anonimato.

Um ponto importante é a gana de Luiz Alves em continuar ativo no mercado. A partir do patrimônio dele era tranquilamente possível ficar em casa e comprar ações que acompanhassem o índice Bovespa. Mas justamente por ter um perfil que quer agir, não quer ficar parado, é que houve essa sincronia com os gestores da Alaska.

Luiz Alves Paes de Barros é o responsável pela sanidade mental da Alaska

Em entrevista conjunta de Luiz Alves com Henrique Bredda, Bredda apontou que o Luiz Alves é quem concede estabilidade na Alaska. Segundo ele, uma das principais atribuições de Luiz Alves é não deixar que os demais sócios e gestores entrem em colapso. Ele tem carta branca e a responsabilidade de chamar atenção quando ver o caminho da Alaska desviando do rumo original que foi traçado.

Essa função não oficial exercida por Luiz Alves é essencial, dado que situações nas quais um bom gestor passa a tomar atitudes temerárias que acabam por impactar negativamente os resultados da companhia são extremamente normais. Um caso de um grande investidor que passou por episódios desse tipo, é o de Ray Dalio.

Ray Dalio obteve um sucesso grande nas décadas de 1970 e 1980, mas os seus sócios verificaram e o avisaram que o seu comportamento e a forma de lidar com os funcionários poderia impactar de forma negativa na gestora. A partir desse episódio ele passou por uma mudança pessoal grande e não por acaso, a gestora da qual fazia parte se tornou um destaque mundial na década seguinte.

Alaska e o case da Magazine Luiza

Em qualquer entrevista que Luiz Alves seja convidado, o sucesso da Alaska vira pauta. Todavia, um investimento em particular sempre ganha destaque que é em relação ao investimento maciço do fundo em Magazine Luiza quando a ação estava em um ciclo de baixa e que depois teve um ótimo ciclo de alta.

Ele aponta que o movimento de venda de ações da Magazine Luiza por parte do mercado naquele período não fazia sentido. Para ele e para os gestores do Alaska, o setor de varejo estava passando por um momento difícil e a Magazine Luiza era uma companhia com bons fundamentos que estava com dificuldades de se manter em pé justamente devido aos problemas no setor de varejo.

Dessa forma, a avaliação era que uma melhora no setor abriria um espaço enorme para o crescimento dos lucros dessa empresa. Ele ainda aponta que como o Fundo ainda estava se estruturando, ele começou a comprar ações da Magazine Luiza no Fundo Poland, seu fundo exclusivo, antes mesmo dos demais fundos da Alaska começarem a fazer o mesmo.

Estratégia de investimento

A estratégia de investimento de Luiz Alves é o value investing, assim como essa também é a estratégia de investimento do Fundo Alaska. Esse tipo de estratégia baseada no investimento em valor e não em especulação é seguida, em geral, pela maioria dos grandes investidores do mundo.

Essa estratégia que foi difundida no mundo por Benjamin Graham, mas que é seguida por outros grandes investidores como Warren Buffet e Peter Lynch. Nessa estratégia, as decisões de investimento são em suma baseadas na análise realizada da empresa com base em fundamentos, ou seja, a lógica do mercado não influencia no estudo.

Diversificar ou não diversificar, eis a questão

Diferente de muitos investidores que buscam diversificar seu portfólio para mitigar riscos, Luiz Alves prefere adquirir poucas ações diferentes. Ele afirma que prefere investir em poucas ações, pois assim consegue acompanhar com cuidado cada uma dela e estudar a fundo antes de realizar um investimento.

Dessa forma, na visão dele, diversificar seria um mau negócio pois afasta ele de uma análise mais crítica das companhias que ele quer investir. Portanto, ele entende que a melhor forma de ter sucesso investindo na bolsa de valores é escolher poucas ações e focar nelas.

Como mitigar os riscos sem diversificar?

Ao invés de diversificar o portfólio de ações, a alternativa de Luiz Alves para mitigar os riscos de uma grande perda é ir montando a posição aos poucos. Dessa forma, ele recomenda que não se compre a posição inteira de uma única vez.

Ele aponta que nunca sofreu uma perda desastrosa em sua carreira porque quando ele realizou escolhas erradas foi possível perceber isso ainda enquanto ele estava montando a posição. Portanto, quando ele percebeu o erro, ele parou de comprar e dessa forma ele consegue manter poucas ações na carteira e mesmo assim mitigar o risco.

Atual momento da bolsa de valores e da economia brasileira

Para Luiz Alves Paes de Barros, a conjuntura da economia brasileira e a relação com a bolsa de valores está diferente no período atual. Ele aponta que no atual momento é necessário traçar estratégias de investimento com o pensamento de que o Brasil irá conviver com taxa de juros baixas e inflação reduzida durante um bom período de tempo.

Ainda sobre investimentos em bolsa, ele aponta que até poucos anos atrás não necessariamente uma pessoa teria que alocar seu capital em renda variável. Isso se dava basicamente porque com as altas taxas de juros no Brasil era possível ter um rendimento substancial aplicando em renda fixa.

Segundo ele, no atual momento é praticamente obrigatório para quem não quer perder dinheiro ter uma boa parte do seu capital alocado em renda variável na bolsa de valores. Nesse sentido, esse é o momento que é necessário investir com sabedoria, analisar os investimentos com critérios fundamentados para realizar boas escolhas.

Decisões erradas podem acontecer

Quando perguntado qual o maior erro que já cometeu em sua trajetória como investidor, Luiz Alves preferiu não citar nenhum erro mas deixar claro que decisões erradas de investimento são absolutamente normais.

Ele aponta que erros podem acontecer sempre, até porque dado momentos de tensão, segundo ele, o investidor é sempre induzido a não agir da maneira correta. Ele aponta que se errar, é necessário assumir o erro e corrigir imediatamente.

Para ele, não assumir o erro, seja por vergonha ou qualquer outro motivo pode implicar em consequências muito piores. Dessa forma, é necessário reconhecer o erro, aprender com ele e seguir em frente.

Ídolos dentro do mercado financeiro

Em uma entrevista para um podcast, Luiz Alves foi perguntado qual o grande ídolo que ele teve quando começou a investir no mercado financeiro. Ele diz que ídolo, sem dúvidas, é aquela pessoa que você sonha em ser ou aquela pessoa que ajuda você a realizar um sonho.

Nesse sentido, ele disse que quando era jovem e começou a investir, o ídolo dele era o Raul Forbes, um investidor da bolsa de valores brasileira. Ele chegava a representar 40% das operações de mercado. Segundo Luiz, com o passar do tempo ele percebeu que o Raul Forbes só era bom porque conseguia movimentar o mercado sozinho, ou seja, não era alguém a se inspirar.

Um tempo depois, passou a admirar Luís Figueiras, dado que ele foi um dos responsáveis pela abertura do capital da Eletrobrás e acabou ganhando muito dinheiro com essas ações. Mas depois acabou descobrindo que as operações que ele fazia eram ilegais, mas conseguia fazer porque na época não existia controle pela CVM como existe hoje.

Por fim, ele disse que o grande ídolo dele hoje é simplesmente o Henrique Bredda. Dado que em um momento que ele buscou recrutar grandes investidores para formar um fundo de investimento para administrar o capital, ninguém comprou a ideia dele. A única pessoa que emplacou com ele esse sonho foi o Bredda e com o passar do tempo ele reconhece se for pra ter um ídolo, esse ídolo é o Bredda.

Considerações finais

A trajetória de Luiz Alves no mercado financeiro é, sem dúvidas, um exemplo para quem é investidor mas principalmente para quem está entrando no mercado. É possível ver a partir desses exemplos que é possível com muito trabalho, análise e seriedade ter bons rendimentos ao longo da vida a partir do investimento em ações.

Um ponto importante é compreender que investimento em ações não é uma aposta de bar. Para obter sucesso em uma empreitada desse tipo é necessário analisar os investimentos a serem realizados da mesma forma que realizaria a análise para investir em um empreendimento convencional, como abrir um comércio, por exemplo.

Portanto, é necessário uma análise fundamentalista, critérios bem definidos e outro ponto importante que Luiz Alves Paes de Barros sempre gosta de lembrar é que é imprescindível ter paciência. Segundo ele, se a escolha tem base o retorno irá vir, talvez demore meses, alguns anos, mas o resultado irá aparecer.

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Vinicius Brandao

Por Vinicius Brandao

É economista e autor no blog Caminho para Riqueza.

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