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As ideias e filosofia de John Templeton podem ajudar nos investimentos

Muitos dos grandes investidores seguem uma lógica de análise onde traçam formas de investir seu capital e afins. John Templeton de certa forma também está dentro desses parâmetros, todavia ele levava em conta um quesito a mais, a sua espiritualidade e como suas filosofias colaboravam para o seu sucesso como investidor.

John Templeton não tinha um perfil ortodoxo, nem em relação aos investimentos nem em relação à suas crenças espirituais. Fomentava a criatividade nas duas áreas, em relação aos investimentos não tinha preconceitos nem com investimentos em países diferentes dos EUA e nem com empresas com ação a baixíssimo custo. Em relação à sua espiritualidade fomentou também o pensamento inovador que fugisse aos dogmas das religiões convencionais.

Mudança para Bahamas e filantropia

John templeton na praia

Um dos movimentos mais interessantes ao longo da carreira de John Templeton, foi sua mudança para Nassau nas Bahamas durante a década de 1960. Apesar das Bahamas serem reconhecidamente um paraíso fiscal, essa movimentação não era comum para grandes investidores como era o caso de Templeton. Mas como será apresentado adiante, Templeton dava muita atenção à economia com taxas, impostos, além de um cuidado especial com inflação.

Durante a década de 1960, ele resolveu abrir mão da nacionalidade americana e se mudar dos Estados Unidos para as Bahamas. Com a mudança de residência Templeton se tornou cidadão britânico naturalizado e se estabeleceu na cidade de Nassau, na América Central.

Essa saída do país e o abandono da cidadania americana rendeu a Templeton uma economia de mais de 100 milhões de dólares de impostos que seriam cobrados no seu país de origem. Ele reverteu toda essa economia para seus projetos filantrópicos, os quais alguns anos depois seriam concentrados na Templeton Foundation.

Origens e início da carreira em Wall Street

Templeton nasceu na cidade de Winchester, TN, nos Estados Unidos, no ano de 1912. Estudou na Yale University, onde se formou em 1934. É importante notar que Templeton apesar de jovem vivenciou a Grande Depressão iniciada com o crash da bolsa de NY em 1929. Justamente a vivência desse período colaborou para um dos grandes ensinamentos desse investidor, o qual é aproveitar os momentos de pessimismo generalizado.

John Templeton iniciou sua carreira em Wall Street em 1938 e o seu sucesso não demorou a aparecer. Especialmente a partir do ano seguinte com o início dos conflitos da Segunda Guerra Mundial e uma sensação de pessimismo generalizada que se espalhou ao redor do mundo, sobretudo nesses primeiros anos da Guerra.

Crise e pessimismo: Problema ou Oportunidade?

Templeton enxergava os momentos de crise e de pessimismo generalizado pelo mundo como momentos de grandes oportunidades. Essa filosofia dele é bem representada durante a Segunda Guerra Mundial. Com o temor gerado pelo conflito começou uma série de movimentos para tentar se proteger, inclusive em âmbito financeiro.

Dessa forma, com a busca por liquidez de muitos investidores. Além do sucesso da campanha do presidente americano Franklin D. Roosevelt em convencer a população a adquirir títulos da dívida americana, os quais eram direcionados exclusivamente para financiar a Guerra, os War Bonds, a bolsa de valores americana teve uma queda generalizada.

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Com essa queda, em 1939, haviam 104 ações na bolsa de valores dos Estados Unidos que custavam 1 dólar ou menos. Templeton tomou empréstimo e comprou 100 ações de cada uma dessas empresas, inclusive 34 empresas em processo de falência.

Resultado: Após o período da Guerra, apenas 4 dessas empresas mantiveram suas ações no patamar do período da Guerra ou foram de fato à falência. Nos casos das outras 100 ações que Templeton comprou, ele obteve uma rentabilidade na casa dos 400%.

Pessimismo é bom para comprar e otimismo bom para vender

Esse é um dos principais exemplos de Templeton, para mostrar que os períodos de pessimismo são ótimos para os investidores. Ele costumava dizer que o melhor ponto de compra de ações são os pontos de máximo pessimismo. Visto que eles proporcionam a possibilidade de se ações de empresas cuja cotação está abaixo do preço que essa ação realmente vale.

Dessa forma, ele atesta que é importante para o investidor não ter medo desses períodos, até porque invariavelmente todo investidor acabará enfrentando uma crise em algum momento. Dessa forma, também é importante não ter o pensamento negativo, pois esse irá atrapalhar nos momentos de aproveitar boas oportunidades.

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Além disso, para ele além do melhor momento para comprar ser o de pessimismo, o melhor momento para vender é o de otimismo. Nas palavras de Templeton: “O momento de máximo pessimismo é o melhor para comprar, e o momento de máximo otimismo é melhor para vender”.

Templeton e o Value Investing

A perspectiva de value investing, ou em português “investimento em valor”, é um pilar central da estratégia de Templeton. Essa estratégia foi fundada em grande medida por Benjamin Graham e seguida por outros grandes investidores como Warren Buffett, e no caso de investidores brasileiros é possível citar o Luiz Barsi.

Seguindo essa estratégia, Templeton se mostrava totalmente contrário à lógica de especular no mercado financeiro. Ele entendia que é necessário comprar valor e não uma tendência, ou seja, não importa se naquele momento a ação ou o mercado está subindo ou caindo, a análise que deve ser feita é em relação aos fundamentos da empresa e a partir dessa análise, chegar a uma conclusão se o preço vigente da ação está alto ou baixo.

Nessa lógica, Templeton assim como todos que investem baseados no value investing possuem uma visão de longo prazo para seus investimentos. Portanto, além de não se preocupar com possíveis quedas no curto prazo devido a situações esporádicas, o investidor que utiliza esse arcabouço de análise compreende que está comprando um ativo e não realizando uma aposta.

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Estudar para investir

Templeton apontava também que para realizar uma boa análise de uma determinada empresa é importante estuda-la bastante. O investidor, segundo ele, deve analisar com cuidado os fundamentos de cada empresa e gastar o tempo que for necessário para realizar uma análise conclusiva e eficiente sobre aquele papel.

Diversificação e flexibilidade

Como forma de mitigar riscos, Templeton apontava que é importante tanto diversificar os investimentos quanto ser flexível quando à alocação do portfólio. Ele entendia que não há investimento perfeito, sendo assim, a possibilidade de incorrer em erros sempre existe mesmo com análises profundas e que na maioria das vezes evite grandes erros.

A estratégia de diversificação dos investimentos é uma das formas mais comuns de reduzir o risco de uma carteira de investimento. Essa estratégia vale tanto em relação à papeis como também em relação à classe de ativos. Dado que com uma carteira diversificada, caso haja algum movimento negativo ele não impactará todos os seus investimentos.

Investimento no exterior

Um dos grandes ensinamentos de John Templeton é não ter preconceito quanto ao lugar que irá investir, além de não temer entrar em um mercado novo. Viajando pelo mundo ele percebeu que outros mercados de capitais ao redor do mundo ofereciam oportunidades ainda melhores em comparação ao mercado financeiro americano. É possível notar nesse ponto uma semelhança importante com outro grande investidor, Jim Rogers, que depois de uma viagem de moto ao redor do mundo resolveu investir no mercado de outros países.

Fundo internacional

Templeton criou alguns dos mais bem sucedidos fundos de investimento internacional do mundo. O primeiro fundo internacional criado por John Templeton foi o Templeton Growth Fund. Com esse fundo, ele foi um dos primeiros investidores a investirem no mercado japonês durante a década de 1960.

Japão

Nesse período, a economia japonesa ainda sofria com os efeitos da Segunda Guerra Mundial, mas mesmo assim Templeton vislumbrava que a economia japonesa passaria por um processo de recuperação como ocorreu com os países da Europa com o Plano Marshall. Dessa forma, poucos anos depois com o boom da economia japonesa, os investimentos que Templeton fez durante a baixa obtiveram resultados consideráveis.

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Fundos Mútuos

Ainda no final da década de 1950, Templeton aumentou a quantidade de fundos, abrangendo a atuação dos seus fundos mútuos. Além disso, ele abriu esses fundos para aporte de investidores, e passou a administrar aproximadamente 70 milhões de dólares.

A rentabilidade dos fundos administrados por Templeton ao longo do tempo tiveram uma rentabilidade superior à média dos demais fundos do mercado. Estima-se que até 1992 quando Templeton vendeu os seus fundos para o grupo Franklin, a rentabilidade média anual desde 1954 dos seus fundos era de 14% contra 10% de média dos demais fundos do mercado.

Não foi por acaso que no final da década de 1990, a Revista Money apontou que John Templeton era o mais selecionador de ações do século XX.

O ganho real é a variável que importa

Um ponto importante na forma de investir de Templeton é estar sempre atento à taxas, impostos e inflação. Ele afirma que quanto maiores as taxas e maior a inflação do país de residência menor serão os ganhos reais dos seus investimentos. Inclusive na busca por mercados alternativos a nível internacional, ele priorizava mercados com menor inflação dada a questão do ganho real.

Nesse sentido, ressalta-se a importância de sempre buscar alternativa que minimizem custos. Dessa forma, em caso de investimento em fundos de investimento, é importante estar sempre atento às taxas de gestão, de administração e de performance. Além disso, os custos de corretagem e impostos sobre ganhos são sempre variáveis a serem levadas em conta.

Ainda nesse contexto, um tipo de ativo que ganhou espaço no mercado financeiro mundial e também brasileiro, são os ETF’s. Esse tipo de fundo também podem ser uma alternativa para se expor ao risco de ações via fundo sem incorrer em grandes custos operacionais.

Aprender com os erros

Como já apontado Templeton entendia que não existia investimento perfeito, dessa forma, ele ressaltava o quão importante é aprender com os erros. Segundo ele, os erros em relação a investimentos são totalmente normais, mas é necessário aprender para não incorrer no mesmo erro. Além disso, é importante não ficar com medo de investir de novo quando errar, dado que essa é uma coisa normal até mesmo para grandes investidores.

Investimento deve ser racional e não sentimental

Sendo um defensor do Value Investing, Templeton defende que o investidor não pode realizar movimentos da sua carteira baseado em sentimentalismo ou emoção exacerbada. Por exemplo, o investidor não pode investir em uma empresa apenas porque trabalha ou trabalhou nela. Ou então, não pode investir em uma empresa porque ela produz mercadorias que são do seu gosto pessoal.

A análise de uma companhia deve ser séria e racional. A empresa deve ser analisada única e exclusivamente a partir dos seus fundamentos e da conjuntura do mercado relacionado à essa empresa. Dessa forma, o investidor não incorrerá no risco de adquirir a ação de uma empresa que não possui bons fundamentos apenas por uma questão de gosto pessoal.

Confiança excessiva pode atrapalhar

Acertar as escolhas de investimentos é sempre o objetivo de todo investidor. Mas o sucesso nas escolhas e análise em certa medida também pode atrapalhar. Templeton alertava para a autoconfiança excessiva prejudicar o investidor, dado que por sucessivos acertos, o investidor pode afrouxar o período de análise entendendo que apenas o feeling para investir é suficiente e dessa forma acabar incorrendo em escolhas ruins.

Ele aponta que a análise séria e racional é imprescindível para qualquer investidor, tanto jovem e com um portfólio pequeno, quanto para um grande investidor com vasta experiência e um portfólio grande. Nessa lógica, uma análise eficiente é sempre a melhor forma de mitigar riscos e evitar perdas desnecessárias.

Além disso, é sempre importante monitorar os investimentos que estiver realizando. Independente de uma boa análise ser efetivada, é necessário estar atento. Dessa forma, a confiança excessiva da análise realizada também pode comprometer a carteira de investimentos caso haja algum contratempo.

Templeton e filantropia: uma filosofia de vida e de mercado

John Templeton dava uma grande importância à sua espiritualidade. Como foi apontado anteriormente, apesar dele ser de origem presbiteriana, ele não era um religioso dogmático. Fomentava o pensamento inovador também em âmbito religioso.

Baseado nessa necessidade de fomento à inovação espiritual ele criou em 1987 a Fundação John Templeton e transferiu uma parte relevante do seu patrimônio para a fundação. Antes mesmo de criar essa fundação, ele já havia criado um prêmio, chamado Prêmio Templeton.

O objetivo desse prêmio é honrar uma pessoa que tenha contribuído excepcionalmente a fim de afirmar a dimensão espiritual da vida. O valor atual desse prêmio é de 1 milhão de libras, o que faz com esse prêmio seja maior que o Prêmio Nobel.

Honrarias da realeza britânica pela sua filantropia

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A partir do momento que mudou para Bahamas, Templeton obteve a cidadania inglesa e abriu mão da nacionalidade americana. A partir da criação da Templeton Foundation, ele obteve a condecoração de Knight Bachelor, o título de Sir, uma das maiores condecorações da realeza britânica. Ele recebeu essa honraria devido às suas atividades filantrópicas.

Relação entre perfil espiritual de Templeton e seus investimentos

Para John Templeton a elevação espiritual é importante para todo investidor. O perfil de Templeton de caráter progressista e que busca sempre a inovação é oriundo da sua crença espiritual, da sua forma de enxergar o mundo e as relações com a religião.

A busca por respostas e novas formas de enxergar as coisas ajudou a Templeton a inovar também na sua forma de investir. Dessa forma, quando ele busca novos mercados para investir, ou então busca investimentos em ações de empresas que estão à beira da falência em meio à guerra, ele está mantendo sua filosofia espiritual também em relação aos investimentos.

Além disso, um dos ensinamentos de Templeton é em relação à calma frente a determinadas situações de mercado, principalmente ressaltando a importância de não entrar em pânico. Esse conceito também vai ao encontro da filosofia de vida propagada por ele.

Conhecimento nunca é demais

A filosofia de Templeton também impacta as suas análises. Ele compreendia que a maior prova de elevação espiritual da humanidade era o avanço da ciência que estava em curso. Nesse sentido, ele afirma sempre estar ávido por conhecimento.

Não é difícil perceber isso na forma de investir de Templeton. A partir do momento em que ele ressalta a importância da análise para um investimento de valor, de não se sentir tão confiante apenas por ter acertado algumas escolhas, ele está ressaltando essa lógica que ele levou para a vida de que quanto mais conhecimento melhor e isso tende a se refletir em bons resultados também no mercado financeiro.

Considerações finais

Considerações finais sobre John Templeton

John Templeton foi um dos maiores investidores da história do mercado de capitais. Além de seguir os passos de Benjamin Graham em relação ao Value Investing, ele obteve níveis de rentabilidade média de seus investimentos que o colocam ao lado de grandes investidores mundiais, como Warren Buffett, Jim Rogers e o próprio Graham.

A sua noção de que o momentos de maior grau de pessimismo são os melhores momentos para realizar investimentos possibilitaram que ele incorresse em ganhos bem acima da média durante momentos de turbulência tanto econômica quanto política a nível mundial. O maior exemplo disso foram os seus ganhos a partir de ações compradas durante a Segunda Guerra Mundial.

Além das questões mais inerentes aos seus investimentos, a questão espiritual é um dos marcos para a trajetória de John Templeton. Esse foi um dos grandes incentivos que o levou a trocar a nacionalidade americana pela britânica e estabelecer domicilio nas Bahamas para economizar em impostos e reverte-los para suas atividades filantrópicas.

Os ensinamentos de John Templeton podem colaborar para os investimentos de qualquer investidor. A lógica que o levou a obter sucesso colabora para fomentar ideias e ajudar na forma de pensar dos investidores no momento de montar seu portfólio.

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Vinicius Brandao

Por Vinicius Brandao

É economista e autor no blog Caminho para Riqueza.

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