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Investimento em ouro: Entenda mais sobre como investir no metal precioso

O investimento em metal precioso, ouro principalmente, pode ser feito através de ouro commoditie, ouro físico, fundo em ouro ou metais preciosos, e até mesmo informalmente, através de jóias.

A importância do ouro metal precioso

O investimento em ouro é um dos mais antigos da humanidade. Funcionou como reserva de valor e meio de troca para inúmeras civilizações e mantém sua importância na sociedade atual. Essa importância se mantém, mesmo em uma sociedade atual com mercado financeiro global robusto e com muitas opções de ativos que podem entregar rentabilidade mais elevada.

Compreender a importância do ouro para a economia global e como mecanismo de proteção é essencial para entender como investir em ouro. O ouro costuma ser um ativo seguro, todavia, possui muitas especificidades com relação a outros ativos comuns no mercado financeiro.

Qual a definição de investimento em ouro?

O investimento em ouro é uma opção para diversificar os investimentos. O ouro funciona como uma reserva de valor, dessa forma, esse ativo costuma ser ainda mais procurado em momentos de instabilidade econômica. 

Crash econômico

Quando ocorre algum crash econômico generalizado, como os ocorridos em 1929 e 2008 por exemplo, é comum os investidores posicionarem suas carteiras em ativos relacionados ao ouro, ou até mesmo comprando o próprio metal.

Ouro na bolsa

Há diversas opções para realizar investimentos em ouro, desde a compra do metal em si ou títulos comercializados na bolsa de valores que são diretamente ligados à variação da cotação do ouro no mercado global.

Commodity

É, importante, compreender também que apesar do ouro ser uma commodity, ele funciona como um ativo de renda variável. A variação do seu preço caminha basicamente pela lei de oferta e demanda do mercado e dessa forma pode sofrer oscilações bruscas a depender do cenário econômico.

Como o ouro se tornou um ativo tão valorizado?

A importância do ouro para a sociedade vem desde a Idade Antiga. Há estudos que revelam que o ouro já era trabalhado ao menos desde 4000 a.C. na Mesopotâmia. Ao longo do tempo sua importância foi aumentando em todas as civilizações.

Ouro nas civilizações antigas

O ouro possuía papel preponderante para o Império Romano, Egípcio e até mesmo povo nativos do continente americano como os Maias e os Incas. Já na Idade Média, esse ativo era cunhado por reinos para servir de ornamento para os palácios reais, bem como para adereços de reis e rainhas, como joias, coroas, colares e afins.

Acumular riqueza

Além disso, os reinos mantinham altas reservas desse ativo como forma de acumular riqueza. O ouro sempre foi um ativo com certa escassez, além da sua extração não ser uma tarefa simples. Dessa forma, quanto mais ouro um povo ou reino possuía, mais poder ele detinha. A história do ouro se cruza com a história da humanidade e colabora para explicar a criação e destruição de impérios ao longo do tempo.

Alguns exemplos sobre esse assunto, é a imensa exploração do Estado de Minas Gerais durante o período colonial ou então o fato da capital do Império Espanhol na América do Sul estar situada justamente onde hoje está o Peru, dada a abundância de metais preciosos naquela região específica.

O ouro como meio de troca

A criação do dinheiro, enquanto meio de troca, também é ligado ao ouro. As transações eram realizadas a partir da troca de moedas de ouro, cuja cunhagem data também da Idade Antiga. 

Todavia, com o passar do tempo, a dificuldade para se armazenar e transportar moedas de ouro foi aumentando. Dessa forma, os ourives, responsáveis por transações em ouro e prata, faziam o armazenamento do ouro e emitiam recibos atestando a quantidade de ouro que cada pessoa possuía. 

Papel-moeda

A partir de determinado momento, esses bilhetes passaram a ser transacionados e dessa forma se iniciou a criação do papel-moeda. Portanto, apesar do ouro diminuir seu uso como meio de troca, ele ainda lastreava a riqueza da economia como um todo. Dado que o papel moeda era emitido a partir da quantidade de ouro existente.

Padrão Ouro

O sistema monetário conhecido como Padrão Ouro perdurou até 1914, quando foi instituído o padrão libra-ouro. Esse padrão consistia que para emissão de uma libra esterlina era necessário 1 fração de ouro. Esse padrão não durou muito e após a II Guerra Mundial foi instituído o Acordo de Bretton Woods, no qual era basicamente um padrão dólar-ouro nos mesmo moldes do padrão libra-ouro.

Todavia, esse acordo também não durou muito tempo, tendo seu fim na década de 1970 com os dois choques do petróleo. Portanto, com o passar do tempo, inclusive o lastro foi se perdendo e as moedas nos dias atuais não são mais interligadas à quantidade existente de ouro. São moedas fiduciárias emitidas pelos Governos, nas quais o garantidor em última instância da sua validade é o Estado.

Por que o ouro é um ativo seguro?

Apesar da cotação do ouro funcionar como qualquer ativo de renda variável, ou seja, ele está suscetível à lei de oferta e demanda, esse é um ativo mais estável. Isso se verifica, porque o ouro é ativo escasso e oriundo da natureza.

Ouro como reserva de valor

Diferente do papel moeda, no qual o país ou bloco emissor pode decidir aumentar a oferta dessa moeda, isso não é possível de ocorrer em relação ao ouro. Como a sua produção e disponibilidade não aumenta em decorrência de uma decisão, não há a possibilidade do seu preço cair devido a um grande aumento da oferta desse ativo. 

Hedge global do portifolio

Dessa forma, o ouro é um excelente ativo para a função reserva de valor. Nesse sentido, não é exagero afirmar que o investimento em ouro funciona mais como um hedge global do portfólio em questão, do que propriamente um investimento visando a valorização.

Esse é um dos principais motivos para o ouro ser um ativo com alta demanda em períodos de graves crises econômicas. Nesse período, é comum haver uma valorização desse ativo, justamente por que irá haver um grande fluxo de capital buscando por ativos mais seguros frente às incertezas do mercado financeiro global.

Cuidado na compra e venda

Justamente nesses momentos, é que é imprescindível ter cuidado para compra e venda desse ativo. Apesar de ser um ativo estável, em período de crise há a possibilidade do seu preço estar sobrevalorizado, e dessa forma provavelmente haverá um ajuste para baixo ao longo do tempo. 

Ganhos financeiros

Em contrapartida, a aquisição de ouro em momentos pré-crise pode gerar ganhos financeiros extraordinários em períodos de crise. Portanto, os períodos de turbulência são tanto aqueles que podem gerar mais ganhos como também podem acarretar perdas a partir do ouro, por esse motivo é necessário maior atenção para essa operação.

Ou seja, mesmo com a queda da importância do ouro, ou deixando de ser lastro para emissão da moeda tida como moeda padrão internacional, ele se manteve como reserva de valor, sobretudo para momentos de insegurança. 

Como realizar investimentos em ouro e como funciona esse investimento?

Antes de realizar operações relativas à ouro é importante entender como esse ativo funciona. Dessa forma, como apontado anteriormente o ouro apesar do seu alto valor ainda é uma commodity, ou seja, algumas especificidades podem impactar o seu preço.

Extração do ouro

Por exemplo, como qualquer ativo, o ouro responde à lei de oferta e demanda. Outro ponto é importante entender que como esse ativo é um minério, problemas climáticos podem impactar sua extração e consequentemente o preço. Portanto, em caso de uma onda de chuvas em locais de grandes minas de ouro, há possibilidade de uma alta no preço do ativo devido à sua escassez.

Política econômica

Outros fatores relacionados à política econômica também podem impactar seu preço, como uma alteração na política monetária dos países centrais ou então uma queda da demanda por ouro nesses países, ou países que podem impactar a economia global como China e Índia. 

Alta inflação

Além desses fatores, períodos de alta inflação também tendem a aumentar a procura por ouro, dada a capacidade desse ativo de manutenção do seu valor ao longo do tempo. Ao passo que em momentos de juros altos, o custo de oportunidade de se reter ouro é maior, nesses casos a demanda por ouro irá diminuir e consequentemente seu preço também.

Impactos no preço do ouro

Portanto, antes de realizar esse investimento, é importante ter consciência dos fatores que impactam o seu preço. Essa lógica vale para qualquer ativo, mas como o ouro dentro do espectro das operações financeiras é um ativo com especificidades não tão comuns.

Os investimentos em ouro podem ser realizados de diferentes maneiras. Seja pelo método mais tradicional, ou seja, comprando quantidades do próprio metal, a partir de contratos nos quais é possível possuir direitos a determinada quantidade de ouro mas não é possível retirar o metal em si. Além dessas opções, há também a opção mais simples de ser realizada, a qual é adquirir cotas de fundos de investimento em ouro.

Contratos de ouro na Bolsa de Valores

Comprar ouro na Bolsa de Valores é a forma mais comum de operar esse ativo no Brasil. Para realizar esse tipo de operação basta abrir uma conta em uma das corretoras de valores que possuem credenciamento junto à Bolsa de Valores. Investir em ouro dessa maneira é mais seguro do que adquirir o ouro físico, dado que mitiga a possibilidade de roubos ou furtos.

Cotação do ouro

A cotação de ouros na B3 é realizada em reais por gramas. Além disso, é importante ressaltar que a cotação do ouro na bolsa de valores brasileira está atrelada à cotação do ouro na Bolsa de Nova York. A cotação na bolsa americana é realizada em dólares por onça, essa medida de peso equivale a aproximadamente 31 gramas.

Ouro ativo financeiro

O objetivo dos contratos de ouro são exatamente como se estivesse comprando um ativo. Dessa forma, caso o ouro esteja a uma cotação x na data atual é possível assegurar a posse de determinada quantidade de ouro a esse preço x. Portanto, no futuro, em posse desse contrato é possível vende-lo ao preço vigente na data futura.

Ouro de diversas formas

Além dos contratos convencionais de compra e venda de ouro, os quais podem ser à vista, futuros ou a termo, há também o mercado de derivativos de ouro. Todavia, essas opções possuem um caráter mais volátil. Dessa forma, só são recomendadas para investidores experientes que já investem nesse ativo há um bom tempo.

Lingote de ouro

Ainda que não seja a opção mais segura é possível realizar a compra do metal precioso na sua forma física. Nesse caso, o ouro é negociado sob a forma de lingotes de ouro fino. O referido minério é fundido por instituição refinadora e é custodiado em uma instituição depositária indicada pelo cliente.

Tipos de contratos de ouro

Em suma, na Bolsa de Valores de São Paulo – B3, são oferecidos três contratos diferentes relacionados à operações de ouro. A diferença entre os contratos é basicamente a quantidade de ouro negociada em cada contrato. Contudo, outro ponto importante nesse caso é a liquidez de cada contrato. Apenas o lote de 250g possui maior liquidez, os demais quase não são negociados, o que pode gerar um problema em uma possível venda.

Taxas para operações com ouro

É importante ressaltar também, que assim como outras operações financeiras, o investimento em ouro incorre em despesas financeiras como corretagem e taxa de custódia. Além de incidir imposto de renda em operações superiores aos R$ 20 mil.

OZ1D – Lote-padrão de ouro fino (250g)

Esse contrato é o lote padrão dos contratos de ouro e essa é a única opção na qual o investidor pode optar por levar o ouro para casa. Caso ele opte por essa alternativa é necessário indicar em qual instituição financeira de custódia ele deseja retirar o ativo. 

OZ2D – Lote fracionário (10g)

Esse contrato corresponde a uma fração do contrato padrão. Além de não haver a opção de retirar o ouro nesse caso, esse contrato possui pouca liquidez. Dessa forma, esse ativo oferece algum risco em momentos nos quais seja necessário vende-lo.

OZ3D – Lote fracionário (0,225g)

Esse contrato é bastante semelhante ao anterior, sendo que a única diferença é o valor fracionado. Tal qual no último caso, esse contrato possui liquidez ainda mais baixa, além de não possibilitar levar o ouro para casa.

Fundos de investimento em ouro

Os fundos de investimento em ouro funcionam como um fundo multimercado convencional mas que nesse caso operam contratos de ouro no mercado. Com relação a esse tipo de fundo de investimento vale ressaltar que eles não são tão comuns no mercado. Dessa forma, nem todas as corretoras disponibilizam esse tipo de produto.

Além disso, também é importante se atentar que tal qual outros fundos os de investimento em ouro também incorrem em taxas de administração e em alguns casos em taxa de performance. Dessa forma, apesar de ser a forma mais fácil de operar esse ativo, também há a incidência de custos financeiros para investir nesses fundos.

Ouro escritural

A possibilidade de investimento em ouro escritural é uma especificidade ligada ao Banco do Brasil e consequentemente é exclusiva para os seus clientes. Nessa modalidade os investidores podem adquirir quantidades de ouro de 25g (10% de um lote-padrão). Essa é uma forma para aquelas pessoas que querem comprar ouro em menores quantidades.

Compra de ouro físico

Apesar das opções relacionadas às operações em bolsa, também é possível utilizar métodos mais tradicionais para compra de ouro, como comprar ouro físico. 

O ouro nessa forma pode ser adquirido pelas seguintes formas:

  • Compra de contrato de 250g na Bolsa de Valores;
  • Comprar o metal em distribuidora de valores;
  • Adquirir joias, relógios e afins.

Acerca da compra de joias, relógios e artigos similares em ouro, é importante realizar a compra em locais de confiança. Visto que dado o alto valor do ouro não é incomum lugares ilegais que realizam venda de artigos falsos supostamente de ouros mas com preços elevados.

Vantagens de investir em ouro

O investimento em ouro possui diversas vantagens, sobretudo em relação à segurança do ativo. Dentre as vantagens de se adquirir esse ativo, é possível listar as seguintes:

#1 – Ativo para proteção

A manutenção de parte do portfólio de investimentos em ouro, é uma das melhores formas de proteção possíveis. Por isso, o investimento em ouro pode ser considerado um hedge geral para a carteira. Dentre as características do ouro, é importante ressaltar que como ele é um ativo proveniente da natureza, a oferta desse ativo não sofre grandes variações, por isso possui um preço mais estável.

Dolar x ouro

Realizando uma comparação simples com outro ativo considerado com um ativo seguro, o qual é o dólar. Apesar do dólar ser uma moeda de circulação internacional, possuir alta liquidez, ainda continua sendo o papel moeda de um país. Dessa forma, apesar desse ativo também ser estável ele está suscetível à economia dos Estados Unidos, bem como às decisões do seu governo.

Esse problema não afeta o ouro. Dessa forma, seria como adquirir um ativo de liquidez global tal qual o dólar, mas que não está sujeito às variações de uma moeda controlada por um Estado-nação.

#2 – Diversificação da carteira

Uma das melhores formas de mitigar o risco é diversificar os ativos dentro de uma carteiras de investimento. Nesse sentido, investir em ouro está diretamente atrelado a esse objetivo. O investimento em ouro além de ser seguro, possibilita ganhos em momentos de instabilidade.

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#3 – Liquidez para transações futuras e reserva de valor

O reconhecimento do valor do ouro é global e possui liquidez intermitente. Dessa forma, em momentos em que seja necessário a venda do ativo, é um ativo que é convertido em dinheiro com facilidade. A exceção é feita para os contratos fracionados da bolsa, os quais possuem baixa liquidez.

Além disso, como o ouro é um ativo no qual seu valor varia pouco ao longo do tempo. Ele mantém seu valor. Dessa forma, em momentos de necessidade de liquidez, comercializar os ativos em ouro é uma opção considerável.

#4 – Perenidade

Outro ponto específico do ouro e crucial, é que o valor desse ativo não deprecia ao longo do tempo. Como o ouro não tem prazo de validade. Além de não sofrer marcas com o tempo, como enferrujar, manchar ou afins, seu valor é mantido durante um longo período, até mesmo através das gerações de uma família.

Desvantagens do investimento em ouro

Investir em ouro também gera algumas desvantagens. Dessa forma é importante estar atento a elas. As principais são as seguintes:

#1 – Períodos de volatilidade

Em geral, o ouro é um ativo estável mas em determinados períodos ele pode sofrer variações mais bruscas no seu preço devido a alguns fatores, como crises econômicas, ações de blocos econômicos importantes ou até mesmo eventos climáticos.

Por exemplo, em períodos de crise, como há um corrida por ativos de segurança, o preço do ouro irá se elevar. Nesse momento adquirir o ouro não será bom negócio, dado que o preço está sobrevalorizado e provavelmente irá voltar ao preço normal no futuro.

#2 – Não possui a capacidade de gerar renda

Diferente de outros ativos, como ações, por exemplo, o ouro não gera renda derivada, como dividendos, juros e afins. Dessa forma, a única forma de obter lucro a partir da compra de ouro é vendendo o ativo por um preço maior do que aquele em que você comprou. 

#3 – Problemas para armazenar ouro

Nos casos em que a opção seja a compra do ouro físico, há uma série de problemas. No caos do armazenamento em casa, é necessário cuidado com a segurança do mesmo.

Há também a possibilidade de armazenar em cofres de bancos, mas nesse caso o investidor incorrerá em taxas para realizar esse armazenamento.

Ouro ativo financeiro algumas considerações finais

Dessa forma, o investimento em ouro é, sem dúvidas, um excelente ativo para proteger a sua carteira de investimento e também para realizar a diversificação da mesma. Há pontos específicos que devem ser analisados sobre quais fatores impactam seu preço e quais momentos é interessante adquirir esse ativo e em quais é melhor vendê-lo. 

Assim como qualquer ativo o ouro possui desvantagens que merecem sua devida atenção. Portanto, estruturar bem a carteira de investimentos é um passo essencial, nesse sentido a utilização do ouro como forma de proteger seu patrimônio poderá se encaixar melhor.

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Por Vinicius Brandao

É economista e autor no blog Caminho para Riqueza.

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