fbpx

Estratégias de gestão da carteira de investimentos

Realizar a gestão de uma carteira de investimentos é importante para todo investidor. Conheça algumas formas que um investidor pode utilizar para fazer a gestão de uma carteira de investimentos.

As várias formas de gerir uma carteira de investimentos

A forma como cada investidor realiza a gestão da sua carteira de investimentos pode variar muito. Essa variação pode ir desde investidores que aportam aos poucos até investidores que realizam grandes aportes de uma só vez quando enxergam uma boa oportunidade.

A estratégia de gestão da carteira de investimentos pode ser realizado de acordo as possibilidades que cada investidor possui mas também de acordo com a predisposição ao risco de cada um. Uma gestão eficiente da carteira de investimentos inclusive pode facilitar a tomada de decisões em períodos de crise.

Vale ressaltar, todavia, que qualquer estratégia de gestão de carteira de investimentos adotada incorrerá em algum custo de oportunidade ou maior exposição ao risco. Dessa forma, essas questões devem sempre ser levadas em conta antes de decidir qual estratégia adotar na sua carteira de investimentos.

Estratégia 1: Maior liquidez com investimentos periódicos e constantes

Uma das estratégias adotadas por investidores para realizar a gestão da carteira de investimentos é realizar aportes periódicos e constantes. O destino desses aportes nesse caso pode variar de acordo com o perfil de risco de cada investidor, mas nessa estratégia necessariamente os aportes periódicos são realizados.

Dentro dessa estratégia de gestão, é possível manter uma parcela sempre em caixa ou comprar ações e outros ativos com maior risco a depender da alocação de cada investidor. Há investidores como Luiz Barsi, que priorizam sempre a alocação em ações, portanto, a maior parte dos seus aportes são destinados para essa finalidade.

Independente da alocação, os aportes constantes fortalecem uma cultura de investimentos e de não perder rentabilidade com valores parados em conta corrente. Esse tipo de estratégia colabora especialmente para novos investidores que ainda estão formando sua carteira de investimentos.

A partir dessa estratégia, o que fazer durante as crises?

Esse modelo de estratégia de gestão de carteira de investimentos colabora para possuir um espaço maior para atuar durante as crises. Como os aportes são periódicos, mesmo que haja uma alocação majoritária em ações, por exemplo, dificilmente esse investidor não terá uma parcela em caixa para aproveitar alguma oportunidade.

Além disso, a realização de aportes periódicos acaba sendo uma forma de obrigar o investidor a sempre pensar sobre a alocação da sua carteira de investimentos. Dessa forma, quando há alterações no mercado, ele pode alterar a estratégia, alocar o capital em outra classe de ativo ou mesmo em ações de outros setores.

Dessa forma, em momentos de crise como a pandemia do Coronavírus, no qual o mercado é mais instável, os aportes periódicos podem ser uma forma de proteção da carteira. Como há entrada de capital novo, é possível alocar os aportes em ativos de baixo risco e dessa forma diminuir a exposição da carteira, por exemplo.

Crise Coronavírus retangular

Com qual periodicidade devo comprar ações nessa estratégia?

A periodicidade para compra de ações varia de investidor para investidor. Um dos grandes investidores brasileiros, Luiz Alves Paes de Barros, afirma que ele sempre prefere comprar ações aos poucos, pois assim ele pode sentir como o mercado está reagindo a determinado papel.

Esse tipo de pensamento é importante, pois nenhum investidor irá adivinhar se determinado preço é o mínimo que essa ação chegará. Dessa forma, comprar aos poucos possibilita sempre aproveitar momentos no qual o investidor entende que determinado ativo está com um bom preço de aquisição.

Essa lógica é bastante utilizada inclusive para momentos de crise. Como nesses períodos, o mercado é muito instável, é difícil saber quando a crise acabará ou quando o mercado de ações irá parar de cair.

Nesse sentido, a estratégia de comprar aos poucos faz com que o investidor seja capaz de aproveitar todos os momentos de baixa e possuir um preço médio de compra mais vantajoso. Além disso, esse movimento também mitiga os riscos inerentes à volatilidade desses períodos, nos quais há variações bruscas nos preços do mercado até mesmo dentro do mesmo pregão.

Além disso, períodos de crise também podem aumentar a periodicidade da compra de ações. Visto que a instabilidade do mercado também abre oportunidades com menor espaço de tempo para entrada. Nesses casos, é comum haver uma leve alteração na estratégia, dada a especificidade do momento.

Gestão de caixa

O percentual mantido em caixa por cada investidor também pode variar muito, mas via de regra é recomendável a manutenção de uma parcela da carteira em caixa para aproveitar oportunidades de mercado.

Nessa estratégia de gestão de carteira de investimentos, essa manutenção de caixa é mais fácil devido aos aportes constantes. Dessa forma, é possível aumentar o caixa em momentos nos quais o mercado esteja desfavorável ou sobrevalorizado, como também é possível aportar em ativos menos líquidos em momentos nos quais os preços estejam reduzidos.

Estratégia 2: Menos aportes, liquidez e maior alocação em ações

Uma estratégia intermediária de gestão da carteira de investimentos é o investidor que realiza menos aportes em sua carteira, em geral uma ou duas vezes por ano. Essa estratégia acaba sendo uma alternativa para aquelas pessoas que possuem um excedente menor de renda ou mesmo aquelas que investem apenas rendas adicionais como 13º salário ou participação em lucros e resultados.

Nesse tipo de estratégia é comum que o investidor priorize a aquisição de ações, dado que como ele realiza menos movimentos no mercado, acaba por priorizar a aquisição desse tipo de ativo. Nesse caso, é comum, portanto, que o investidor espera uma boa oportunidade para realizar os aportes.

Baixa liquidez

Nessa estratégia de gestão de carteira, o investidor possui uma liquidez menor dado que há menos aportes ao longo do tempo. Possuir uma porcentagem menor ou até mesmo nula de caixa possui pontos positivos e negativos a depender do perfil de investidor de cada um.

O ponto positivo nesse caso é que como esse tipo de investidor prioriza a alocação de poucos aportes em ativos de maior risco em comparação a ativos de caixa, ele pode ter uma rentabilidade maior no agregado justamente por esse motivo. Ou seja, o investidor abre mão de minimizar o risco e de ter caixa disponível em troca da possibilidade de ganhos maiores.

Por outro lado, o principal ponto negativo é a dificuldade para realizar novas aquisições e principalmente aproveitar boas oportunidades de mercado. Como os aportes são realizados poucas vezes e a alocação costuma ser feita em ações, fica mais difícil aproveitar os momentos de queda do mercado durante as crises.

Dessa forma, nessa estratégia o investidor acaba por ficar limitado a alterar a alocação de ativos entre as ações. Ou seja, caso a crise não ocorra exatamente no momento dos novos aportes, para comprar novas ações será necessário desmontar alguma outra posição na qual esteja alocado.

Maior susceptibilidade à crises

A adoção desse tipo de estratégia acaba aumentando a exposição do investidor à crises. Dado que nesses períodos, o mercado de ações como um todo acaba sofrendo uma queda maior em comparação à outras classes de ativos.

Dessa forma, essa estratégia de gestão de carteira de investimento deve sempre ser realizada tomando como base o value investing e uma visão de longo prazo. Dado que esse investidor irá realizar menos movimentos dentro do mercado, a margem de erro dele dentro dessas operações é menor.

Além disso, nesse caso é ainda mais necessário ter convicção nas empresas nas quais o investidor comprará ações. Dado que em momentos de crise é natural que a maioria das empresas sofra com o impacto da queda do ritmo da economia. Contudo, caso a empresa mantenha os bons fundamentos, o mais provável é que ela se recupere no período posterior.

Assessoria de Investimentos - Crise 1

Estratégia 03: Alta liquidez e atento a boas oportunidades

Essa estratégia de gestão da carteira de investimentos pode ser confundida com pessoas que compram ações quando está “na moda”, todavia não é esse o caso. Nessa estratégia, o investidor aloca todo o seu capital em renda fixa mas está atento a oportunidades de mercado para comprar ações.

O fator que diferencia o investidor que adota essa estratégia para uma pessoa que compra ações quando há uma ação famosa é justamente os critérios. Para ter sucesso com essa estratégia é imprescindível realizar uma análise fundamentalista para saber como enxergar de fato boas oportunidades no mercado de ações.

Nessa estratégia, períodos de sobrevalorização de ações também merecem tanta atenção quanto momentos de crise, nos quais há subvalorização de muitos papéis. Quando há um boom de ações, o investidor também não hesita em vender ações que ele tenha em carteira.

Nesse momento, ele retorna essa parcela do seu capital para ativos de renda fixa e aguarda novamente boas oportunidades de mercado para voltar a operar no mercado de renda variável.

Alternativas para captar boas oportunidades

Existem algumas formas para o investidor que utiliza essa estratégia captar boas oportunidades tanto para compra como para venda de ações. Uma das mais comuns de serem utilizadas é a análise do valor intrínseco apresentada por Benjamin Graham. Nessa análise é possível o investidor ter uma ideia de qual o valor real da ação e comparar com seu preço de mercado para compreender se a ação está dentro ou fora do preço.

A análise dos múltiplos, a partir da estimativa da Taxa Interna de Retorno (TIR) também é bastante utilizada, especialmente por gestoras de investimentos. Além disso, também é possível analisar a empresa com base no dividend yield médio da companhia e dessa forma analisar se a empresa em questão é rentável.

Mais espaço para operar durante as crises

Essa estratégia de investimento pode, sem dúvidas, ser considerada uma estratégia de gestão da carteira conservadora. Visto que o investidor na maior parte do tempo aloca a maior parte dos seus investimentos em renda fixa.

Os ativos de renda fixa possuem riscos e liquidez variadas, todavia, muitos ativos dessa classe são considerados ativos de caixa, ou seja, altíssima liquidez. Dessa forma, um investidor que realiza esse tipo de gestão de carteira possui um espaço maior para operar ações em períodos de crises. Em períodos como esse costuma haver uma queda geral dos preços das ações no mercado.

Sendo assim, o investidor que adota essa estratégia, além de sofrer menos com os impactos de crises, ele também pode adquirir mais ativos a preços menores. Nesse caso, ele acaba tendo uma performance melhor nesses períodos específicos.

Oportunidades durante crises demandam mais atenção

Vale ressaltar também que apesar das ações durante a crises aparentarem sempre estarem em um preço reduzido, a análise dos fundamentos de cada empresa nesses momentos são essenciais. Dado que algumas empresas podem ser afetadas pela crise em uma intensidade maior e ter dificuldades para se recuperar no período seguinte.

Sendo assim, apesar desses momentos abrirem maiores oportunidades, não deixam de haver riscos. Dessa forma, as análises não podem ser subestimadas, tanto em relação ao setor da empresa em questão como também dos dados da companhia.

Mecanismos de proteção para fortalecer a gestão da carteira de investimentos

A alocação do capital acaba sendo uma etapa posterior à gestão da carteira de investimentos, todavia ela pode ser feita de forma a fortalecer a estratégia de gestão adotada. Para realizar essas ponderações há uma série de variações que podem ser mais ou menos interessantes para cada investidor.

Modelo Ray Dalio de gestão de risco

Um dos ícones do mercado financeiro global quando o assunto é gestão de risco é o Ray Dalio. No caso da carteira de Ray Dalio, a qual ele chama de “Quatro Estações”, dado que ela engloba todos os movimentos econômicos que impactam o mercado de ações, na visão dele.

Em uma análise simplificada, ele realiza a alocação do capital a partir de um cálculo do risco de cada ativo. Esse cálculo serve para maximizar os ganhos e minimizar perdas em períodos de alta volatilidade.

Essa modo de alocação pode ser bem utilizada para quem adota a estratégia de gestão da carteira de investimentos na qual são realizados aportes periódicos. Como os aportes que formam a carteira de investimentos total são realizadas aos poucos, o investidor pode ir aportando em classes de ativos diferentes.

Nesse caso, em momentos de crise é possível destinar os novos aportes de forma reajustar a porcentagem alocada em classe de ativo. Nesse caso, em geral, é possível mitigar grandes riscos e ainda manter capacidade para aproveitar uma queda no preço do mercado de ações.

Renda fixa não é apenas Fundos DI

Esse modelo de gestão de risco de Ray Dalio também é útil para quem adota a estratégia de gestão de carteira com a maior parte dos ativos em renda fixa a atento a boas oportunidades. Como esse tipo de investidor prefere alocar a maior parte do capital em renda fixa, ele pode variar dentro dessa classe de ativo para maximizar sua rentabilidade. E essa estratégia pode ser tomada sem aumentar muito sua exposição ao risco.

Dessa forma, ele pode variar dentro de renda fixa com títulos de dívida de curto e longo prazo ou fundos de crédito ou inflação. Esses ativos tendem a incorrer em riscos maiores que os Fundos DI mas possibilitam também uma rentabilidade maior.

Dessa forma, um balanceamento dos ativos nesses moldes pode possibilitar tanto uma maior rentabilidade ao longo do tempo. Mas também pode manter um nível de risco reduzido comparado à alocação total em ações. Além disso, o investidor continuaria com uma parcela do capital em caixa para aproveitar momentos que ele entenda serem oportunos para comprar ações.

Setores perenes e foco em dividendos

No caso da estratégia número 2 apresentada nesse artigo, uma forma de alocar os ativos de maneira a mitigar os riscos é a alocação do capital em ações de setores perenes e com bom histórico de dividendos.

Como nessa estratégia, o investidor realiza poucos aportes e quando o faz, em geral, aloca o seu capital em ações, é natural que ele aplique seu capital em companhias mais estáveis. Dessa forma, a alocação em setores que não possuem demandas temporais ou de artigos que estão em moda, colaboram para uma estabilidade maior da carteira.

Esse tipo de visão de mercado, inclusive, é adotada por grandes investidores como Luiz Barsi. Além dele, Henrique Bredda, gestor de fundo de investimentos, também concede bastante importância para a capacidade de gerar renda dos ativos que ele aloca em carteira. Dessa forma, ativos com bom histórico de dividendos tendem a ser ativos mais seguros, sobretudo, porque a rentabilidade desse ativo está menos associada à variação de preços no mercado acionário.

ebook-dividendos-acoes

Considerações finais

A estratégia para realizar a gestão da carteira de investimentos é uma escolha importante para todos os investidores. A estratégia adotada facilita ao investidor traçar horizontes para seus investimentos e também a criar uma rotina para gerir sua carteira e seu patrimônio como um todo.

O perfil de cada investidor é um ponto crucial para adoção de uma ou outra estratégia. A estratégia na qual os aportes são todos direcionados para o mercado de ações é naturalmente mais propensa ao risco. Enquanto a estratégia na qual o investidor fica posicionado na maior parte do tempo em renda fixa acaba sendo mais defensiva.

Dessa forma, é necessário para o investidor cada vez mais aprimorar a capacidade de análise não apenas do mercado como um todo mas também de cada companhia específica. Além disso, o autoconhecimento é importante, pois permite adotar uma gestão da carteira de investimentos mais próxima ao seu perfil e à sua realidade.

Vinicius Brandao

Por Vinicius Brandao

É economista e autor no blog Caminho para Riqueza.

Comentários