DINHEIRO, UMA CARTA ABERTA PARA VOCÊ

O texto a seguir é um rápido ensaio sobre o Dinheiro. Na forma de uma carta aberta onde o Dinheiro fala diretamente a você, aproveitando-se de um momento econômico, social e político (crise, manifestações anti-Dilma/Lula).

Boa leitura, Daniel Guedine

Remetente: Dinheiro

Destinatário: Você

Assunto: Política e suas emoções

O Dinheiro te pergunta

E aí? Foi protestar na manifestação? Ou ficou em casa, também como forma de protesto? Você grita ‘Fora Dilma’ ou ‘Não vai ter golpe’? Você é coxinha ou pão com ovo?

Se identifica com ideais liberais na defesa de um estado mínimo ou acredita que o estado deve ser protagonista na condução do desenvolvimento econômico? Vota em políticos simbolizados por corpos celestes ou por animais da fauna brasileira?

Manifestação - política - o dinheiro e a situação política econômica

Foto de Caio Miranda Carneiro

Dinheiro: Porque sou chamado o Capital

Sinceramente. Não me interessa, não estou nem aí. Não me importa qual a sua posição política, qual a sua paixão, qual a sua utopia, seu ideal. Sabe porque? Porque qualquer que seja o partido, regime ou destino das massas e elites eu sei que continuarei a comandar o processo de desenvolvimento capitalista.

É por isso que eu sou chamado de Capital, eu sou o cara, sou em quem está sempre no papel principal. Tudo isso porque eu faço o que tem que ser feito, sou pragmático, encontro o meu caminho seja na tempestade, seja na bonança.

Dinheiro: sou capaz de realizar sonhos

O problema é que, para a maior parte das pessoas, eu sou um incompreendido, sou um cara complicado, estou à mercê de cálculos e estimativas dificílimos, falo difícil, sou metido e ‘me acho’. Sou usado como calmante, como meio de diminuir a ansiedade, de aliviar as incertezas ou de realizar projetos.

Gero frustrações, expectativas, crio conflitos e resolvo questões. Desperto sentimentos sombrios e desejos obscuros. Mas, também sou capaz de ajudar a realizar os mais maravilhosos e fantásticos sonhos. Basta estar preparado e saber me usar quando o momento certo chegar.

Dinheiro e emoção, ganância e julgamento

Sou o Dinheiro - ninguém derrota - sou o capitalMas não sou para qualquer um. Muitos nunca me tiveram e quando me têm me perdem facilmente, como se não me quisessem. Outros sempre me tiveram, mas me tratam como se nunca tivessem me tido. Outros ainda, nunca me quiseram, mas quando me têm, agem como sempre me quisessem.

E tudo isso por causa do que? Da sua emoção, da sua paixão, sua ganância e seus sentimentos humanos, que atrapalham seu julgamento sobre o que fazer e à qual destino me levar quando chega a hora de você me usar.

Você e eu temos uma relação de amor e ódio. E a culpa é toda sua. É claro que é! Lembra?

Eu sou o cara, eu estou no comando. Ninguém me derrota eu sou o Capital.

Eu me envolvo com o seu amor e com o seu ódio e acabo indo parar nas mãos de quem me enxerga de maneira pragmática. Sou quase um ser ‘vivo’, com uma vontade própria instintiva que sempre prevalece.

Que tipo de relação você tem comigo, o Dinheiro?

Agora, nós podemos viver muito bem juntos se você me tolerar, se você entender o que eu já entendi: apesar de eu estar no comando, eu posso te deixar me comandar se você me aceitar do jeito que eu sou, e se fizer o que deve ser feito, de forma fria, gelada, mas consciente e lúcida.

Esqueça que você é um ser humano emocional. Seja meu instrumento e faça-me realizar os objetivos para os quais fui criado: Me reproduzir, acumular-me em mim mesmo, crescer indefinidamente, criar novos caminhos e destruir antigas vias – escorrer como a água de um córrego quando é tomado por uma enchente, causando perdas àqueles que esquecem da minha natureza, até desaguar nos oceanos mais tranquilos daqueles que me compreendem.

Ah, você não consegue? Qual tipo de não consigo é o seu? É difícil não gastar? Bate aquela vontade de trocar de carro, realizar a viagem dos sonhos ou comprar aquele sapato lindo e quando nós nos vemos você fica louco para me passar adiante?

Ou você é do tipo que não gasta nada porque sabe que no futuro as suas necessidades serão maiores e precisa garantir um futuro confortável e tranquilo na velhice, “ainda mais num país como o Brasil”.

Ou pior, você chegou a um momento em que fez tudo direitinho: acumulou patrimônio, ganhou mais do que gastou, tem sua casa própria, algum dinheiro no banco e aproveita os benefícios que a grana pode trazer, sem cometer exageros, mas vivendo com certo hedonismo aquilo que seu trabalho lhe conferiu. Afinal ‘você merece’.

Mas aí eu te sacaneio. Eu me envolvo com outras formas de valorização dos meus objetivos dentro de meu modus operandi e te abandono, te passo uma rasteira.  E aí você se pergunta: O que eu estou fazendo de errado? Porque nossa relação não está mais indo tão bem?

Que relação você tem com o dinheiro

Eu, o Dinheiro, e a Crise

Então começa a crise… Ah, como eu adoro a crise! Nessas horas eu conheço tanta gente! Algumas como você, outras totalmente diferentes! É um carnaval de emoções, uma viagem de turismo pelo mundo de oportunidades de valorização.

Em alguns desses ‘instrumentos de valorização’ que prefiro chamar aqui de ‘pontos turísticos’ do meu passeio, frequento roteiros tradicionais (aplicações financeiras conservadoras) e alternativos (aplicações financeiras arrojados).

Pelo tempo que dure esse período sabático ao contrário da crise, que pode permanecer por longos períodos, eu acabo sempre encontrando locais onde consigo cumprir o meu papel e estabelecer uma relação duradoura e saudável.

Estes são aqueles locais que me compreendem e onde aqueles com quem me deparo estão preparados para tirar proveito das oportunidades da crise.

Por outras mãos passo rapidamente, às vezes posso sentir o seu potencial, mas aí você não se contém e revela seu lado emotivo e humano e eu dou uma rasteira na sua arrogância ou covardia. Perdeu, amigo!

Mas o que me atrai mesmo nas crises não são os destinos, mas os caminhos que crio para chegar até eles. Em muitos eu, o Dinheiro me reproduzo rapidamente, funciono como um foguete e posso provocar mudanças estruturais na riqueza de famílias e até de países.

Eu marco épocas – para o bem ou para o mau, depende do seu preparo. Na verdade, para o mau só quando você não sabe o que fazer ou, pior, quando acha que sabe o que está fazendo.

Por isso vou te dar um conselho valioso.

Assume que sua emoção atrapalha a você mesmo e nos impede de termos um relacionamento estável e produtivo. Não é o país, não são os políticos, as ideologias, a corrupção, coxinhas ou pão com ovo que são o problema.

O problema é que VOCÊ NÃO SABE O QUE FAZER! Você está sozinho e sozinho você só conta com a sorte. E isso não existe quando se trata de me fazer cumprir o meu papel.


Se você gostou deste artigo leia também “Quanto Mais, Melhor?! A Ganância, a Avareza e a Generosidade” aqui no Caminho para Riqueza.

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Por Henrique Bastos (Autor)

Henrique Bastos é economista, doutorando pela Unicamp e autor convidado no blog Caminho para Riqueza.

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