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Cotação do dólar e investimentos: Entenda melhor o mercado cambial

A cotação do dólar impacta a economia brasileira como um todo e também os investimentos. Entenda melhor a relação entre cotação do dólar e investimentos.

Dólar e taxa Selic, setores da economia, inflação

Entender como que é definida a cotação do dólar e qual a sua relação com os investimentos e a economia como um todo é uma tarefa necessária para todos os investidores. As variações na moeda americana podem afetar de forma negativa e positiva diferentes setores da economia e também podem impactar em outros índices como taxa Selic e inflação.

Para compreender bem quais fatores impactam na cotação do dólar é importante estar atento a movimentos da economia, como a balança comercial e também fluxos de capitais para investimentos. Compreender essa dinâmica pode facilitar para o investidor no momento de adotar a melhor estratégia de gestão da carteira de investimentos.

Como é definida a cotação do dólar?

A cotação do dólar varia assim como a cotação de qualquer outra mercadoria, ou seja, ela respeita a lei da oferta e da demanda. Dessa forma, em linhas gerais se houver maior demanda pela compra de dólares em relação a reais, o dólar sobe. Caso haja maior demanda pela compra de reais em relação ao dólar, o dólar desce.

Essa é a explicação mais simples possível e a partir dela é possível passar para a compreensão dos grandes movimentos da economia que impactam com maior força o mercado cambial. Para facilitar a compreensão vamos analisar em separado em quais momentos o dólar sobe e em quais momentos o dólar cai.

Quando o dólar sobe?

Existem variados motivos que podem fazer a cotação do dólar subir, contudo, os principais motivos são os seguintes:

  • Déficit na balança comercial;
  • Aumento dos gastos no exterior;
  • Variações na taxa básica de juros do Brasil e dos Estados Unidos;
  • Crises econômicas.

Déficits comerciais

Os déficits comerciais implicam que houve mais importações que exportações naquele período. Portanto, nesses casos como a maior parte das transações comerciais são em dólares, o índice maior de importações em relação às exportações gera uma maior demanda pela moeda americana em relação ao real e consequentemente tende a haver uma alta.

Gastos no exterior

O aumento dos gastos no exterior também pode impactar nesse índice. Em períodos nos quais o país realiza mais gastos no exterior em comparação aos turistas estrangeiros dentro do Brasil há uma tendência de valorização do dólar em relação ao real.

Variações na taxa básica de juros

Um dos fatores que mais impactam a cotação do dólar e nesse caso possui uma relação estreita com os investimentos é em relação ao diferencial da taxa de juros entre Estados Unidos e Brasil. Em períodos nos quais o diferencial entre a taxa Selic e a taxa básica de juros americana diminuir, há uma tendência de haver fluxos de capitais saindo do Brasil em direção aos Estados Unidos.

Esse fato ocorre porque o dólar é a moeda mais estável do mundo, portanto, caso o diferencial de juros não seja vantajoso para o investidor, ele irá preferir comprar títulos do tesouro americano ao invés de títulos do tesouro brasileiro. Portanto, períodos de alta na taxa de juros do Estados Unidos e/ou queda na taxa Selic, deve haver uma alta na cotação do dólar.

Crises econômicas

As crises econômicas tanto de caráter global quanto de caráter local podem impactar no mercado cambial. Isso ocorre porque em momentos de crise, os investidores tendem a enviar seus capitais para mercados considerados mais seguros, portanto, costuma haver um fluxo de capitais de moedas menos estáveis para moedas mais estáveis, sendo o dólar a principal delas.

Esses movimentos podem ser vistos tanto em crises globais como a crise de 2008 e a crise de 2020 da pandemia do Coronavírus, mas também em crises locais como a crise brasileira deflagrada em 2015.

Além de uma crise local poder impactar esse mercado, crises em outros países emergentes também podem elevar a cotação do dólar. Por exemplo, quando em 2018 houve uma instabilidade com a lira turca houve uma alta na cotação do dólar em relação à maior parte das moedas dos países em desenvolvimento.

Esse fator é conhecido como efeito contágio, ou seja, os investidores compreendem que uma crise em um país em desenvolvimento pode se alastrar para outros países similares. Dessa forma, crises em países como Turquia, Índia, Rússia, Coreia do Sul entre outros, possuem potencial para impactar o mercado de cambial brasileiro.

Crise Coronavírus retangular

Quando o dólar o desce?

A queda do dólar em relação ao real decorre basicamente dos movimentos inversos dos movimentos citados acima. Dessa forma, os fatores que tendem a gerar uma valorização do real em relação ao dólar são:

  • Superávit comercial;
  • Aumentos dos gastos de estrangeiros no Brasil;
  • Variações nas taxas de juros;
  • Atratividade da bolsa de valores.

O superávit comercial implica maiores exportações em relação às importações. Como nesses períodos ocorre uma maior demanda por produtos brasileiros, haverá uma maior demanda por reais para realizar essas transações. Além disso, um aumento dos gastos de estrangeiros em território nacional, tende a valorizar o real em relação ao dólar.

As variações na taxa de juros também podem impactar para uma valorização do real em relação ao dólar. Em grande medida durante muito tempo a taxa de juros brasileira esteve em patamares elevados e, portanto, havia grandes influxos de capital para o país em busca da rentabilidade ofertada por títulos atrelados à taxa Selic.

Além disso, outro fator que pode impactar na valorização do real em relação ao dólar é a atratividade da bolsa brasileira. Caso o país esteja em expansão econômica e chamando a atenção de investidores estrangeiros, é comum que haja fluxos de capital estrangeiro para comprar ativos na bolsa brasileira. Esse movimento tende a reduzir a cotação do dólar em reais.

Histórico recente da cotação do dólar no Brasil

Para traçar o histórico recente da cotação do dólar no Brasil é importante também conhecer o regime cambial adotado em cada momento. O Brasil já teve câmbio fixo baseado em bandas cambiais estreitas e desde 1999 opera com câmbio de flutuação suja, esse é um câmbio que flutua livremente no mercado mas pode sofrer ação do Banco Central a partir da venda de swaps cambiais.

Regimes cambiais

A partir da instituição do Plano Real em 1994 para combater a alta inflação, o Brasil passou a adotar a âncora cambial, nesse regime o câmbio foi fixado em paridade de um pra um com o dólar. Pouco tempo depois adaptou-se a âncora cambial ao regime de bandas cambiais, no qual o dólar poderia oscilar dentro de um intervalo pré-determinado, na prática funcionava como câmbio fixo.

A partir de 1999 com a instituição do tripé macroeconômico, passou-se a adotar o regime de câmbio flutuante, esse foi período inclusive que se deflagrou a crise cambial brasileira. Todavia, o câmbio flutuante no Brasil é o de flutuação suja, no qual a cotação está suscetível à intervenção do Banco Central a partir da venda de swaps cambiais.

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Variação do dólar no Brasil durante os anos 2000

Durante a maior parte dos anos 2000, o dólar no Brasil esteve valorizado. Os principais motivos para a valorização da moeda brasileira foram o boom das exportações de commodities durante o Governo Lula e também a manutenção de altas taxas de juros durante esse período.

Dessa forma, apesar desse período ser marcado por aumento dos gastos de brasileiros no exterior, os demais fatores que impactam o mercado cambial acabam se sobressaindo sobre os gastos maiores de brasileiros no exterior.

Durante a década de 2010 com a queda nas exportações verifica-se uma desvalorização do real em relação ao dólar. Esse fato ocorre em um primeiro momento devido à queda no montante de exportações e no período seguinte devido à início da trajetória de queda da taxa Selic.

Portanto, verifica-se a partir de 2015 uma aumento mais acentuado da cotação do dólar e que segue nos anos seguintes. Esse movimento pode ser atrelado tanto à queda do ritmo da economia brasileira como também aos recorrentes corte na taxa Selic.

Variação do dólar durante a pandemia do Coronavírus

A variação na cotação do dólar durante a pandemia do Coronavírus está relacionada ao movimento do dólar em períodos de crise. Como apresentado esses períodos acabam gerando uma maior volatilidade nos mercados e os investidores tendem a buscar mercados mais seguros para alocar seu capital.

Esse inclusive é o motivo pela demanda por metais preciosos aumentarem nesse período, sobretudo com relação aos investimentos em ouro e investimentos em prata. A cotação desses ativos foi inclusive as que mais subiram durante esse período de crise.

Dessa forma, verificou-se no Brasil durante esse período uma alta vertiginosa do dólar em relação ao real. A moeda americana chegou a valorizar mais de 30% em relação real durante o período dessa crise.

Esse fato ocorre também para outras moedas de países em desenvolvimento. Em suma, entre as moedas utilizadas no mundo existe uma hierarquia de moedas, na qual o dólar é a moeda chave. Portanto, quando aumenta a percepção de risco há fluxo de capital para os patamares mais altos dessa hierarquia.

Relação entre a bolsa de valores e a cotação do dólar

A relação entre a cotação do dólar e os investimentos em renda variável não obedecem há uma regra rígida. Mas na maior parte das vezes quando analisados os dois mercados em conjunto é possível enxergar que quando o índice da bolsa de valores brasileira sobe, a cotação do dólar cai e vice-versa.

Esse movimento ocorre porque quando na maior parte das vezes quando a bolsa cai significa também que há capital saindo da bolsa brasileira para outros países. Dessa forma, os investidores vendem ativos em reais para comprar ativos em dólar. Esse movimento pode ser observado nas principais bolsas de valores do mundo e até mesmo nas bolsas de valores de países asiáticos.

O movimento contrário também ocorre, o qual é a entrada de capital estrangeiro na bolsa de valores brasileira. Nesse cenário há compra de ativos em reais e venda de dólar para essas transações ocorrerem e, portanto, haverá alta nos preço da bolsa de valores brasileira.

Todavia, é importante lembrar que isso não é uma regra, ou seja, é possível a bolsa de valores brasileira cair e a cotação do dólar subir. Assim como também é possível o a cotação do dólar cair e o índice Ibovespa subir.

Inclusive, é possível enxergar um movimento parecido com esse nos anos de 2018 e 2019, nos quais os preços na bolsa de valores subiram. Nesse período também houve desvalorização do dólar. Esse período foi um pouco atípico pelo fato de que houve um aumento expressivo da quantidade de investidores pessoa física na bolsa de valores. Dessa forma, a alta no índice da bolsa brasileira não estava atrelada à entrada de capital estrangeiro no Brasil.

Como a cotação do dólar impacta as empresas brasileiras?

O impacto da variação da cotação do dólar impacta de forma diferentes cada setor da economia brasileira, portanto o impacto nos investimentos irá depender da alocação. Há setores como os exportadores que podem ser beneficiados por uma desvalorização da moeda brasileira, dado que eles se tornam mais competitivos no mercado internacional.

Todavia, há setores que possuem boa parte do seu custo dolarizado. Nesse caso, a alta da cotação do dólar tende a prejudicar esses setores, dado que os seus custos irão aumentar de forma expressiva. Portanto, será necessário repassar esse custo para os consumidores, contudo isso pode gerar uma queda na demanda e consequentemente uma queda na receita.

Setor exportador

As empresas exportadoras são as mais beneficiadas pela desvalorização do real. Isso ocorre porque a partir dessa desvalorização a empresa pode reduzir o seu preço em dólar no mercado internacional e, dessa forma, aumentar a sua fatia do mercado global na venda de determinado bem.

Algumas empresas brasileiras com ações listadas na bolsa que podem ser citadas para elucidar esse exemplo são as mineradoras como a Vale, frigoríficos, como JBS, Marfrig e outros exportadores em geral como a Gerdau. De forma indireta, também é possível beneficiar empresas de logística como a Rumo que realizam transporte de commodities para os portos.

Além de empresas como as citadas, esse movimento tende a beneficiar o setor agropecuário. Visto que Brasil é um país que é um grande fornecedor de commodities para o mundo, como café, soja, açúcar, laranja, entre outros. Dessa forma, as exportações e as receitas desses setores também podem ser elevadas.

Empresas com custos dolarizados

Por outro lado há empresas que são prejudicadas quando há uma alta na cotação do dólar. O principal exemplo para esse caso são as empresas ligadas ao turismo. Essa questão vale tanto para agências de turismo como a CVC, como também para empresas aéreas como Gol, Latam e Azul.

Em geral, o custos das empresas aéreas é indexado ao dólar e, portanto, quando há uma alta na moeda americana esses custos tendem a ser elevados. Dessa forma, os custos acabarão sendo repassados para os preços e isso tende a reduzir a demanda por passagens aéreas e diminuir as vendas das companhias.

Esse efeito acaba impactando também agências de turismo. Como o preço das passagens é um fator importante para pacotes de viagens, o preço dos produtos ofertados pelas agências pode se elevar e haver queda no número de vendas. Além disso, há agências que possuem muitos pacotes para o exterior e nesse caso os efeitos são ainda piores.

O câmbio também afeta o mercado interno?

Um ponto que acaba passando desapercebido é que mesmo uma empresa que não realiza exportações e também não possui custos dolarizados pode ser afetada pelas variações na cotação da moeda americana.

Boa parte das empresas brasileiras precisam competir com empresas estrangeiras não apenas no mercado internacional mas também no mercado interno. Dessa forma, em momentos de câmbio valorizado, no qual é barato para os brasileiros comprarem produtos importados a indústria brasileira como um todo pode ter problemas.

Muitas vezes as empresas estrangeiras possuem capacidade tecnológica mais avançada e, portanto, acabam tendo maior produtividade e maior vantagem relativa para a produção de seus produtos. Dessa forma, quando o câmbio está valorizado essas empresas conseguem vender no mercado brasileiro a preços iguais ou menores que as empresas brasileiras.

A alta na cotação do dólar pode ser um fator prejudicial para a indústria nacional, portanto esse é mais um fator a ser lembrando no momento de alocar os investimentos . Em grande medida, isso pode gerar impactos negativos não apenas no setor industrial, mas também no PIB brasileiro e no mercado de trabalho.

Os efeitos da variação do dólar na inflação

A cotação do dólar além de impactar os investimentos também pode impactar no índice de inflação, esse é um movimento conhecido como efeito pass-through. Quando o peso dos produtos importados é importante na cesta de consumo, um aumento na cotação do dólar pode levar a uma alta na inflação.

Esse era inclusive um dos motivos para adoção da âncora cambial durante o Plano Real. A partir do câmbio fixo e valorizado, haveria fluxos de capitais para o Brasil que possibilitariam a manutenção do câmbio valorizado e evitaria um impacto negativo no índice de inflação.

Considerações finais

Compreender bem a dinâmica da taxa de câmbio é essencial para os investidores entenderem bem não só os aspectos globais da economia mas também analisar cada vez melhor os setores no qual possuem seu capital investido.

Investidores que operam no mercado internacional, assim como Jim Rogers, certamente estão sempre atentos aos movimentos do câmbio. Dado que não é um movimento incomum migrar seu capital de um país para outro.

Dessa forma, entender e acompanhar a cotação do dólar pode colaborar ainda mais para você ter cada vez melhor desempenho com seus investimentos. Além disso, o mercado cambial pode ser uma janela para enxergar novas oportunidades para alocação do seu capital.

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Vinicius Brandao

Por Vinicius Brandao

É economista e autor no blog Caminho para Riqueza.

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