Como ficarão seus investimentos no exterior (BDRs) caso Biden ou Trump ganhe?

Por Roberto Moura - 03/11/2020
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O cargo político mais poderoso do mundo está sendo decidido palmo a palmo, acirrando a polarização, os nervos estão a flor da pele.

Brigas, acusações, discussões e até mesmo, grandes teorias entorno de questões religiosas e raciais trazem um componente explosivo, estão jogando gasolina na fogueira a todo tempo.

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Biden ameaça ‘reunir o mundo’ contra o Brasil se ganhar a eleição.

Fonte: Gazeta Brasil

Temos que ser pragmáticos, “O rendimento dos seus investimentos não vai se importar com a sua opinião politica” e o ano de 2020 não acaba nunca, porém estamos na reta final.

De olho nessas movimentações e expectativas com relação aos planos de governos, os investidores começam a movimentar suas posições de médio e longo prazo, fazendo ajustes em suas carteiras de investimentos.

BDRs para todos

Com a democratização dos investimentos e a grande onda de educação financeira que vimos no Brasil nos últimos anos, os investidores brasileiros ganharam alternativas de veículos de investimentos, que até a pouco tempo só podiam ser acessados por investidores mais sofisticados como no caso das BDRs (Brazilian Depositary Receipt).

Somente investidores qualificados tinham acesso as BDRs não patrocinadas, ou seja, investidores que possuíam carteira de investimento superior a 1 milhão de reais tinham acesso a investir em recebidos de ações de grandes empresas internacionais, estas listadas no mercado brasileiro na B3.

De olho na grande mudança de comportamento dos investidores brasileiros, devido às sucessivas quedas na taxa Selic, a patamares mínimos históricos de 2% a.a, o mercado está pedindo alternativas de diversificação de portfólios de investimentos, e também da maior liberdade das empresas que tem suas BDRs listadas. Também pesou o fato de grandes empresas brasileiras estarem optando por fazer suas aberturas de capital fora do Brasil, como no caso da Stone, Pag seguro e XP.

O órgão regulador  decidiu alterar essa norma, passando a não mais exigir que os investidores sejam qualificados para investir BDRs, dessa maneira dando acesso ao pequeno investidor se expor a recibo de ações como: Facebook, Aplle, Unilever e Netflix .

As eleições americanas impactam diretamente nas BDRs, ou seja, nas empresas americanas que tem seus recibos de ações sendo negociadas na B3.

Saiba como Investir no exterior bdr

Como poderão ficar as BDRs com o Biden?

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A percepção de mercado, caso Biden vencer as eleições americanas, está no diferencial do seu programa de governo apresentado para a economia:

  • Aumentar os impostos para pessoas jurídicas (empresas) no país, dos atuais 21% para 28%.
  • Taxa mínima para lucro dos estrangeiros dos atuais 10,50% para 21%.
  • Incentivar a produção nacional com benefício fiscal, de até 10% para determinados investimentos.

O candidato também revela um plano verde, que deve investir nos próximos quatro anos US$ 2 trilhões, incentivando a produção de energias renováveis, empresas que possuem níveis mais altos de governanças corporativos ligadas a praticas de desenvolvimento do meio ambiente e preservação da biodiversidade, preocupações com o lado social as chamadas empresas (ESG) devem ser beneficiadas.

O mercado aposta de Biden deve estimular o multilateralismo e fortalecer o comercio exterior com outros países, beneficiando a Europa como um todo, países emergentes que tem suas economias mais abertas no caso do México, Coréia do sul e índia.

Em um eventual cenário de Biden vencer as eleições a aposta majoritariamente do mercado a princípio, são em empresas de setores cíclicos, como: Energy transfer, conopy Growth, Brookfield Renewable, workhorse, Tesla, Reality Income e Martin Marietta Materials.

Como ficarão as BDRs com o Trump?

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Quem nunca ouviu trump dizer:  “America First ou Make America Great Again”.

Esse slogan já foi adotado por outros presidentes tanto republicanos como democratas.

Caso vença as eleições Trump promete fortalecer essa doutrina para a economia onde suas principais propostas para economia são:

  • Corte de impostos sobre o Salário;
  • Manter os impostos para empresas nos níveis atuais de 21%;
  • Manter a atual política de tributação nos dividendos;
  • Fortalecer as linhas de consumo;

O candidato, e atual presidente, caso vença as eleições deve continuar sua cruzada contra a China, incentivando empresas locais e focando nos próprios interesses (America First), pressões e sansões unilaterais de comércio exterior e fortalecimento bélico em todas as áreas.

As apostas, majoritariamente a princípio, caso Trump vença as eleições, são em setores anticíclicos da economia como: Walmart, Facebook, Twitter, JP. Mogan, Amazon, Lockheed Martin Corporation, Exon Mobil e bank of america.

Risco de mercado

Diante das propostas de governo, seja como for, o principal risco que o mercado não quer é uma judicialização do resultado da eleição. No livro “Porque as nações fracassam” do autor: Daron Acemoglu & James A. Robinson, fazem uma forte conexão a sucesso de nações devido ao alto grau de credibilidade em suas instituições, e esse processo eleitoral incomum em um ano atípico, causado principalmente por uma pandemia mundial, pode trazer desdobramentos e radicalizações, caso a diferença de votos seja muito pequena deve trazer muitos ruídos e barulhos, o que pode atrapalhar o mercado, contaminando e arranhando  a imagem das instituições trazendo muita instabilidade e volatilidade.

Buscando pontos convergentes, o que se enxerga em cenário, tanto pela vitória de Trump quanto de Biden, os EUA terá que aumentar a arrecadação fiscal. Se ela vir por Biden, devido aumento de impostos pode gerar inflação, pois os repasses são feitos aos consumidores pelas empresas. Se vier por Trump, pode ser pelo lado do consumo e comercio exterior.

A política de Trump, de mais consumo e menos impostos, ao que parece não surtiu efeito, pois o que se viu nos anos de 2018 e 2019, ou seja, antes da pandemia, foi um aumento do déficit nas contas públicas.

Proteção em metais preciosos (hedge)

No atual cenário de muitas incertezas de curto prazo os investidores correm em busca de proteção via compra de ouro e commodities metálicas. Também estamos assistindo um ciclo de alta de commodities agrícolas e carnes, por conta da insegurança alimentar que a pandemia trouxe, que deve impactar em ativos da economia real.

Os democratas e os republicanos, já são velhos conhecidos do mercado financeiro, e ao que tudo indica tivemos uma polarização traduzida na figura de Trump, após não atender interesses sociais democratas ao longo do seu mandato e dando voz a alguns grupos de extrema direita no país.

Conclusão

Por isso amigos peregrinos, fiquem atentos as coletas de dados e principalmente, os desdobramentos das eleições devem ditar o ritmo do mercado. Não é possível fazer afirmação de qual candidatura seria melhor para o mercado nesse momento, mas vamos estar juntos e conte conosco em sua jornada, forte abraço de Urso! Ou melhor, de Touro rs.

Disclaimer:

“Nenhuma das informações aqui supracitadas devem ser consideradas indicações de compra ou de venda. Para isso, consulte sua assessoria de investimentos e veja se a estratégia cabe ao seu perfil de investidor e objetivos financeiros.”

Assessoria de Investimentos
Roberto Moura

Roberto Moura

Roberto Moura é profissional de investimentos com formação em administração. Já atuou no pregão viva voz da Bolsa de Valores e foi broker da mesa de derivativos do Bradesco.