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Conheça mais sobre as bolsas de valores da Ásia e Rússia

O investimento em mercados estrangeiros, como bolsas de valores da Ásia e Rússia pode se apresentar como um boa alternativa de investimentos. Grandes investidores como Jim Rogers, sempre apontam que é preciso analisar um investimento sem preconceitos, dessa forma é possível aproveitar boas oportunidades independentemente do local que elas estejam.

Todavia, para realizar um investimento em bolsas de valores da Ásia, Rússia ou qualquer outro mercado é necessário conhecer o funcionamento desses mercados. Compreender bem os ativos que são operados nessas bolsas, abrangência de atuação no mercado e até mesmo um pouco do histórico de cada uma pode facilitar aplicações desse tipo.

Bolsa de valores de Tóquio (TSE)

A bolsa de valores de Tóquio, no Japão, é a maior entre as bolsas de valores da Ásia e além disso é terceira maior bolsa do mundo em valor de capitalização de mercado, ficando atrás apenas das duas principais bolsas americanas, Nyse e Nasdaq.

A bolsa de valores japonesa além de grandes multinacionais do país como Toyota, Honda, Konami, entre outras, conta também com uma série de empresas de outros países da região. Durante muitos anos, o Japão foi o líder econômico da Ásia e aglutinava investimentos dos países vizinhos.

Apesar de ter perdido o posto de maior potência asiática para a China, a bolsa japonesa ainda se mantém com maior capitalização que as bolsas chinesas, sobretudo pela abertura limitada da economia chinesa. Nesse sentido, a bolsa de valores de Tóquio conta com cerca de 3.400 empresas listadas, sendo uma das bolsas de valores da Ásia com maior número de ações.

Breve histórico da Bolsa de Tóquio

A bolsa de valores de Tóquio tem suas origens no século XIX ainda sob o Império Japonês. Durante a Segunda Guerra Mundial e após os ataques à Hiroshima e Nagasaki em 1945, a bolsa de valores foi fechada e reaberta apenas em 1949.

No período até a década de 1990, a bolsa japonesa aumentou muito de tamanho e se tornou um dos principais centros financeiros do mundo. Após esse período houve uma queda tanto da economia japonesa quanto da relevância da bolsa de valores, todavia, ela ainda se manteve como a principal entre as bolsas de valores da Ásia e uma das principais do mundo.

Ativos operados na bolsa de Tóquio

Além do grande número de ações operados na bolsa de valores de Tóquio, há oferta de uma série de outros ativos. Há um grande número de derivativos operados nessa bolsa, seja relacionados aos índices japoneses, índices de outros mercados como o Dow Jones e o FTSE China 50 Index, além de derivativos convencionais como opções de ações e futuros de moeda estrangeira.

Na bolsa de Tóquio também são operados ETF’s (Exchange Trade Fund), essa modalidade de investimento vem ganhando espaço nas principais bolsas de valores do mundo. Na bolsa japonesa o número de ETF’s disponíveis é extenso e possibilita exposição aos índices da bolsa japonesa, setores específicos como energia e metalurgia, além de possuir ativos desse tipo focados em small caps.

Assim como na bolsa brasileira, na bolsa japonesa também é possível comprar Fundos Imobiliários (FII). Com relação a esses ativos a bolsa de Tóquio também disponibiliza um número substancial de ativos e que possibilitam também exposição ao risco do mercado imobiliário japonês.

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Como a funciona a bolsa de Tóquio?

A bolsa de Tóquio possui algumas características peculiares quando comparada às principais bolsas de valores do Ocidente. Uma dela é que a bolsa de valores japonesa não funciona durante o horário de almoço. Dessa forma, o pregão em Tóquio funciona entre as 8:00 e 11h30 e de 12h30 as 17h.

Além disso existe uma divisão entre as ações listadas nessa bolsa de valores. Elas são organizadas pelas seguintes seções:

  • Primeira Seção;
  • Segunda Seção;
  • Mothers (Market of the high-growth and emerging stocks).

Na primeira seção são listadas as maiores companhias listadas nessa bolsa, essa seção conta com cerca de 73% das companhias listadas na bolsa. Já na segunda seção ficam as empresas de médio porte, na qual há cerca de 19% ações listadas. Já a seção Mothers é destinada às startups de alto crescimento, nessa seção estão cerca de 8% das empresas.

Por fim, os principais índices da bolsa de Tóquio são o Nikkei 225 e o TOPIX. O primeiro índice acompanha a variação de performance das 225 maiores empresas listadas na bolsa japonesa. Por sua vez, o índice TOPIX apenas a variação das ações listadas na primeira seção da bolsa do Japão.

Bolsa de valores de Shangai (China)

A bolsa de Shangai na China é uma das bolsas de valores da Ásia possuem mais particularidades. Apesar da economia chinesa figurar entre as maiores do mundo a bolsa de valores de Shangai possui uma série de restrições a investidores estrangeiros, fator que impossibilita um maior crescimento do mercado financeiro chinês.

A bolsa de valores chinesa existe desde o século XIX, apesar de em boa parte da história ela não ter uma grande importância mundial. Após a revolução comunista em 1949 a Shangai Stock Exchange é fechada e só é reaberta no ano de 1990 com o processo de abertura da economia chinesa. A administração da bolsa de Shangai é realizada pela China Securities Regulatory Commission (CSRC).

Essa bolsa de valores chinesa está entre as maiores bolsas do mundo em capitalização de mercado mesmo com as restrições para acesso de investidores estrangeiros. O principal índice dessa bolsa é o SSE Composite Index que é composto por todas as ações listadas na bolsa de Shangai.

Estrutura da Bolsa de Shangai

As ações na bolsa de Shangai são divididas em dois grupos, um grupo de ações “A” e outro de ações “B”. No grupo de ações “A” as ações são negociadas na moeda local renminbi yuan, enquanto as ações “B” são cotados em dólares americanos.

Apesar da reabertura na década de 1990, a bolsa chinesa continuou com uma série de restrições. Uma delas é que investidores estrangeiros poderiam comprar ações apenas do grupo “B”. Essa restrição foi diminuída a partir dos anos 2000, na regra atual, investidores estrangeiros podem comprar também ações do grupo “A” desde que sejam investidores qualificados, que devem ser autorizados pela entidade que realiza a gestão da bolsa de Shangai.

Ativos negociados na bolsa de Shangai

Assim como existe uma série de restrições para investidores entrarem na bolsa de Shangai também há uma série de restrições para a listagem de uma nova ação na bolsa de valores chinesa. Algumas dessas restrições são:

  • O capital total da companhia não pode ser menor que 30 milhões de renminbi (4 milhões de dólares).
  • A companhia deve estar operando pelo menos há 3 anos;
  • A companhia não pode estar envolvida com atividades ilegais nos últimos 3 anos

Dada as restrições e também o controle de capital chinês, a imensa maioria das empresas listadas na bolsa de Shangai são chinesas. Portanto, quando comparada com outras bolsas mundiais com valor de capitalização similar, a bolsa de Shangai possui um número reduzido de empresas listadas, cerca de 1000 ações. Sendo a principal empresa dessa bolsa a PetroChina.

Contudo, mesmo com essas restrições a bolsa chinesa possui uma série de outros ativos, como derivativos, bonds de empresas públicas e privadas, além de fundos de investimento, incluso ETF’s.

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Bolsa de valores de Shenzhen (China)

A bolsa de valores de Shenzhen é a segunda maior entre as bolsas de valores da China continental, figura entre as 10 maiores bolsas do mundo em valor de capitalização e é a quarta maior da Ásia. A bolsa de Shenzhen possui restrições parecidas com as da bolsa de Shangai e, em suma, boa parte das empresas listadas nessa bolsa possui controle acionário do governo chinês.

As empresas listadas na bolsa de Shenzhen de forma geral são empresas menores, startups de alta tecnologia. Dessa forma, ela acaba recebendo muitas empresas que não conseguem cumprir os requisitos necessários para serem listadas na bolsa de Shangai. Fazendo um paralelo, as bolsas de Shangai e Shenzhen tem uma relação similar às bolsas Nyse e Nasdaq nos Estados Unidos.

A origem da bolsa de Shenzhen também data do período de reabertura da China em 1990, apesar dessa bolsa já existir de forma não oficial desde 1987.

Ativos operados na bolsa de Shenzhen

Assim como na bolsa de Shangai, as ações na bolsa de Shenzhen também são divididas entre ações “A” e “B” sendo o primeiro grupo de ações em renminbi yuan e o segundo em dólares americanos. Entre os dois grupos são listadas cerca de 1400 ações.

Além das ações a bolsa de Shenzhen oferece uma gama de outros produtos, como títulos de dívida públicos e privados, fundos de investimentos, o que inclui 70 ETF’s diferentes, dos mais variados setores. Contudo, essa bolsa disponibiliza um número reduzido de derivativos, em suma, é possível operar apenas opções de ações.

Principais índices da bolsa de Shenzhen

Os principais índices da bolsa de Shenzhen são o SZSE 100 que acompanha as 100 principais ações listadas nessa bolsa e o SZSE Composite, esse índice por sua vez é composto por todas as ações listadas nessa bolsa de valores.

Bolsa de valores de Hong Kong

A bolsa de valores de Hong Kong também é uma bolsa da China. Todavia, a legislação da ilha de Hong Kong é diferente da China continental. Esse território passou por uma série de mudanças ao longo da história e esteve sob domínio britânico durante boa parte do século XX, esse território voltou a fazer parte da China em 1997, todavia com uma legislação própria.

Como a legislação de Hong Kong é diferente do restante da China, a bolsa de valores de Hong Kong tem mais liberdade de atuação é consequentemente é mais aberta a investidores estrangeiros. Dessa forma, a bolsa de Hong Kong é uma das bolsas de valores da Ásia mais importantes, dado que permite a muitos investidores estrangeiros investirem em companhia chinesas, o que não conseguiriam na bolsa de Shangai, por exemplo.

Dessa forma, a bolsa de valores de Hong Kong é a terceira maior da Ásia, atrás apenas de Tóquio e Shangai e também figura entre as 10 principais bolsas de valores do mundo. O principal índice dessa bolsa é Hang Seng Index, o qual acompanha as principais ações listadas nessa bolsa de valores. A maior empresa listada nessa bolsa é da companhia chinesa AIA Group.

Ativos operados na bolsa de Hong Kong

Visto que a economia de Hong Kong é mais liberalizada quando comparada à China continental, isso possibilita um número maior de empresas listadas, são 2315 ações listadas nessa bolsa. Além disso, há uma oferta maior também de diferentes ativos, sobretudo de derivativos.

Além das ações, é possível operar também na bolsa de valores de Hong Kong, ETF’s, Fundos Imobiliários e outros fundos de investimentos. Além disso, essa bolsa oferece um número elevado de derivativos, como:

  • Futuros de índices;
  • Derivativos relacionados à taxa de juros;
  • Contrato futuro de commodities;
  • Futuro de moedas estrangeiras (deliverable e non-deliverable);

Além disso, também são operados ativos de renda fixa, como títulos de dívida pública e privada. Nesse caso, é possível operar tanto títulos do governo local de Hong Kong quanto títulos do governo central da China.

Bombay Stock Exchange (Índia)

A Bombay Stock Exchange (BSE) é a bolsa mais antiga da Índia e a principal desse país asiático. A bolsa da Índia foi aberta em 1875. Durante boa parte dessa história, essa bolsa de valores indiana teve uma estrutura arcaica e reduzida apenas a alguns players de mercado.

A partir da informatização na década de 1990 e até mesmo da fundação da National Stock Exchange com um aparato mais moderno, a Bombay Stock Exchange passou a ter um sistema informatizado e aumentou substancialmente o número de investidores nessa bolsa e consequentemente a quantidade de operações realizadas nesse mercado.

Dada a relevância da economia indiana na atualidade, a bolsa de Bombai é um organismo importante do mercado financeiro mundial, dado que possibilita o investimento em empresas que vem tendo um vasto crescimento nos últimos anos. Além disso, a bolsa de Bombay não possui restrições à entrada de investidores estrangeiros.

Ativos negociados na bolsa de Bombay

Dada a relativa abertura da bolsa de Bombay, ela possui 2570 ações listadas, um número consideravelmente alto. Além das ações listadas, essa bolsa também possui um grande número de outros produtos negociados, sobretudo derivativos ligados à commodities.

Como a bolsa indiana tem uma influência considerável da colonização britânica, segue-se a tradição da bolsa de Londres de forte negociação de contratos futuros de commodities. Dessa forma, na bolsa de Bombay é possível encontrar derivativos dos mais variados produtos, desde a produção de algodão até investimento em metais preciosos, possibilitando investimento em prata, por exemplo.

Além desse tipo de derivativo é possível operar futuros de moedas estrangeiras, como dólar americano, euro, libra esterlina e o yen japonês. É possível operar também as tradicionais opcões de ações.

Em relação a fundos de investimento também há uma variedade grande de produtos. Desde os fundos mútuos e também ETF’s. Em relação a esse último é possível encontrar uma ativos que possibilitam exposição ao risco de mercados variados, como energia, petróleo, small caps, entre outros.

O principal índice da BSE é o BSE SENSEX que é composto pelas 30 maiores empresas listadas na bolsa de Bombay. Além desse índice também existem índices relacionados ao tamanho das empresas, o BSE Large, Mid e Small caps. A maior empresa listada na bolsa de Bombay é a indiana Reliance Industries, a qual possui negócios basicamente no território da Índia nos setores de energia, petroquímica, têxtil, recursos naturais, varejo e telecomunicações.

National Stock Exchange (Índia)

A National Stock Exchange (NSE) é a segunda principal bolsa de valores da Índia, mas com tamanho muito similar à bolsa de Bombay. Dessa forma, é a sexta maior entre as bolsas de valores da Ásia e é a décima primeira do mundo em valor de capitalização de mercado.

Antes da fundação dessa bolsa de valores, o mercado financeiro era totalmente restrito a um grupo seleto de pessoas e o sistema de pregão funcionava basicamente de forma manual. Dessa forma, a partir da fundação da NSE, e junto dela de um sistema de operações eletrônica, os investimentos desse tipo na Índia passaram a ser mais seguros e colaboraram para ampliar esse mercado.

Diferente da bolsa de Shangai, por exemplo, essa bolsa indiana encoraja os investidores estrangeiros a investirem nessa bolsa de valores. Os tipos de investidores estrangeiros nessa bolsa inclusive são divididos em três categorias para facilitar o acesso de investidores de diferentes níveis:

  • Não-residentes na Índia;
  • Investidores Institucionais Estrangeiros;
  • Investidores Qualificados Estrangeiros;

Ativos operados na National Stock Exchange

A National Stock Exchange possui quase 2000 ações listadas e além disso possui uma variedade elevada de produtos para seus investidores. Dentre os ativos listados é possível investir em Fundos Mútuos, ETF’s, metais preciosos como ouro, entre outros.

Além desses ativos, há também uma variedade de derivativos disponíveis nessa bolsa de valores. Há opções de ações, derivativos relacionados à commodities, futuros de moedas estrangeiras e futuros de índice. Entre as moedas estrangeiras operadas nos futuros estão o dólar americano, euro, libra esterlina e o yen japonês.

Em relação ao mercado de renda fixa, a NSE opera os ativos tradicionais como títulos de dívida pública e os corporate bonds (títulos de dívida privada).

O principal índice dessa bolsa é o NIFTY 50 que é composto pelas 50 maiores empresas listadas na NSE. Dentre essas empresas, a maior delas em valor de mercado, assim como na bolsa de Bombay, é a indiana Reliance Industries.

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Bolsa de valores de Moscou (Rússia)

A bolsa de valores de Moscou é uma das mais novas do mercado financeiro, dado que durante o período de vigência da União Soviética não havia uma bolsa de valores ativa dentro desse território. Dessa forma, após a dissolução da União Soviética na década de 1990 foram criadas algumas instituições com essa função.

Todavia, a atual bolsa de valores de Moscou foi fundada apenas em 2011 apesar da fusão entre o Moscow Interbank Currency Exchange (MICEX) e o Russian Trade System. Apesar da economia russa ser uma das principais economias do mundo, a bolsa de valores russa não figura entre as principais bolsas de valores do mundo em valor de mercado.

Em sua imensa maioria, as empresas listadas na bolsa de valores de Moscou são companhias russas. Como o mercado interno russo ainda é visto com alguma desconfiança por muitos investidores, o número de investidores estrangeiros nessa bolsa de valores ainda é um valor reduzido.

Ativos operados na bolsa de Moscou

O número de ações listadas na bolsa de valores russa é 219 ações, um número bastante reduzido para o tamanho da economia russa. Apesar disso, a bolsa de valores de Moscou conta com uma série de outros produtos disponíveis para seus investidores.

Um mercado de destaque nessa bolsa são as commodities, é possível investir em metais preciosos, mercado de grãos, além de derivativos dos mais variados relacionados ao mercado de commodities.

Além disso, existem também derivativos relacionados à moedas estrangeiras, bem como possibilita o investimento em futuro de índice. Além disso, com relação à renda fixa é possível investir sobretudo em títulos da dívida pública nesse mercado.

A maior empresa listada na bolsa de Moscou é o Sberbank da Rússia, esse é o maior banco da Rússia e também de todo o leste europeu. Cerca de 60% das ações desse banco são controladas pelo Banco Central da Rússia.

Já o principal índice da bolsa de Moscou é o MOEX Russia Index que acompanha a variação das principais ações listadas nessa bolsa de valores. A composição desse índice costuma variar ao longo do tempo, dado que a permanência de uma ação depende da liquidez da frequência com que é operada.

É viável investir em mercados financeiros tão diferentes?

O investimento em mercados estrangeiros, sobretudo em países que possuem não só uma distância geográfica para o Brasil mas também cultural, demandam uma atenção e estudo ainda maior do que o comum, dado que é importante investir naquilo que se conhece.

Todavia, investir em bolsas de valores da Ásia é possível e pode ser rentável. Alguns veículos de investimento inclusive permitem a exposição a esses riscos sem ter que abrir uma conta em uma corretora desses países, por exemplo. A partir do crescimento da bolsa de valores brasileira é possível que surjam ainda mais ativos que possibilitem essa exposição à mercados menos usuais.

Vinicius Brandao

Por Vinicius Brandao

É economista e autor no blog Caminho para Riqueza.

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