A inflação só melhora com um aumento da SELIC.

Por Roberto Moura - 29/10/2020
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Olá Amigos Peregrinos do caminho para riqueza, tudo bem?

O Brasil tem um longo histórico, de processos inflacionários ou hiper inflacionários, e não há nada mais poderoso que pode colocar políticos brasileiros de joelhos do que ele, a inflação.

Ao longo da trajetória da economia brasileira de governos militares a governos civis, um monstro chamado inflação ataca e traz consigo consequências graves para sociedade e para a economia. Esse monstro opera de forma silenciosa a princípio, afetando algumas cadeias produtivas causando desequilíbrio entre oferta e demanda.

Os brasileiros de tempos em tempos são obrigados a mudar seus hábitos de consumo mesmo que seja sazonalmente, pois a inflação ataca, o que se observa é altas nos preços até que o mercado se reequilibre, porém nossa economia muito fechada não da margem e não tolera erros na condução de políticas econômicas,  pois uma vez esse monstro despertado ele pode ter alguns catalizadores ou vetores para que se torne um verdadeiro colosso.

Assessoria de Investimentos

Esses catalizadores ou vetores podem vir tanto de variáveis endógenos ou exógenos, fatores como câmbio, crises internacionais, descontrole nas contas públicas e políticas públicas equivocadas. Uma vez esse monstro crescido e criado, afasta investidores internacionais, e se traduz em mudanças drásticas no dia a dia da sociedade.

Quem nunca escutou esse proverbio popular “para quem está se afogando, jacaré é tronco”, pois é, para controlar esse monstro, a história nos mostra que governos acabam por tomar medidas com elementos heterodoxos, pois não existe político que gosta de tomar medidas impopulares.

Vargas ao assumir o governo em 1951 indicou para ministro da fazenda Horácio Lafer, a inflação estava galopante e fora de controle, as seguintes medidas foram tomadas, após obter autorização do congresso o governo congelou os preços e começou a punir comerciantes que especulassem com produtos alimentícios, deu instruções aos bancos que cortassem todos os financiamentos, a comerciantes, que eles julgavam como especuladores como tentativa de garantir abastecimento mínimo aos mais pobres, Vargas criou a (COFAP) comissão federal de abastecimento e preços.

Transportando-nos para nossa realidade em um ano muito atípico, o cenário para juros inflação fica ainda mais desafiador, pois a pandemia afetou, varias cadeias produtivas e de suplementos em escala global, os estímulos às economias globais alcançaram níveis nunca vistos antes, algo em torno de 23 Trilhões de dólares, perto de 20% do PIB global.

As taxas de juro básico de economias desenvolvidas permanecem em patamares baixos históricos, a emissão de papel moeda da parte dos bancos centrais esse ano está elevadíssimo, ou seja, ligaram pra valer as maquinas de imprimir dinheiro.

Dessa maneira o juro real, ou seja, juro nominal menos Inflação, esta ficando cada vez mais negativo, o banco central americano em seus comunicados ao mercado deixou claro em suas métricas que será mais tolerante com relação a sua meta de inflação.

As moedas emitidas pelos bancos centrais têm como agente fiduciário seu emissor e não possuem nenhum lastro, de olho nesses movimentos os investidores tem ido às compras de Bitcoin e Ouro usado como moeda, aos olhos de muitos investidores estamos na rota de um grande processo inflacionário em escalas global, e essa pressão mais afrente pode afetar o Brasil.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) teve alta de 0,94% em outubro, o que acendeu a luz amarela dos investidores. Foi a maior alta para o mês de outubro desde 1995, o IPCA esta sendo puxado para cima principalmente por bebidas e alimentos como carne, óleo de soja, arroz, tomate e leite.

Correndo atrás da curva, o forward guidance do banco central, ou seja, sua diretriz para aumento de taxa ainda continua inalterada e promete manter a Selic a 2% a.a até 2022, caso o teto de gastos seja respeitado e os preços não fugirem do controle, porém a fragilidade nas contas públicas, a inflação agravada pode exigir ajustes em seu forward guidance.

Na dúvida, os investidores em um cenário de poucas reformas e nenhuma grande privatização esse ano, e com relação dívida PIB atingindo quase a casa de 100% e ainda sem saber de onde virá o dinheiro para os novos programas sociais, os investidores preferem buscar por proteção e ficam de fora de ativos de risco.

Em uma relação direta o dólar sobe a níveis nominais históricos, e o real perde espaço junto a seus principais pares. As próximas reuniões do Copom (Comitê de Política Monetária) e as receptivas atas, deve trazer mais clareza se o BC vai correr atrás da curva, mas majoritariamente as apostas no mercado de juro futuro, na B3, para vencimento em maio de 2021, já nos mostra uma alta de até 50BSp ou seja 0,5% de ajuste na atual taxa Selic para cima.

De qualquer maneira o dólar segue ditando o tom para as commodities agrícolas, com os grandes produtores bem capitalizados, as ofertas de animais e grãos seguem restritas, uma estratégia legítima que o produtor utiliza, é o chamado “da mão para boca”, porém em algum determinado momento podemos ver alguma reviravolta nos preços.

As exportações crescem, no nível atual de câmbio já temos relatos de grandes linhas de produções de montadoras fabricando aqui no Brasil e exportando para Europa, deixando de produzir em seu país de origem.

Uma combinação que pode ser explosiva, diante do cenário de incerteza está assistindo por parte do governo um populismo barato, como a redução de alíquotas de IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) sobre videogames, atinge três faixas: de 40% para 30% para consoles e máquinas de jogos, de 32% para 22% para partes e acessórios e de 16% para 6% para aparelhos com tela incorporada, portáteis ou não, e suas partes.

Quando comentou o assunto no último dia 9, Bolsonaro afirmou que a “molecada” voltou a “chiar” com os preços de jogos eletrônicos.

O que está ocorrendo é a postergação de medidas que poderiam fazer o país voltar para os trilhos do ajuste fiscal, das reformas de recuperação da confiança dos investidores internacionais. Estamos  ignorando esse mostro chamado  “inflação” e o alimentando enquanto nossos políticos estão exatamente nesse momento pensando em como gastar os recursos do fundo eleitoral, que foi liberado a todos os partidos para suas campanhas eleitorais e que são financiados pelo povo.

Os desafios são enormes para economia brasileira no médio e longo prazo, muita água vai rolar debaixo dessa ponte, por isso amigo peregrino, esteja atento a todo e qualquer possível cenário, forte abraço!

Roberto Moura

Roberto Moura

Roberto Moura é profissional de investimentos com formação em administração. Já atuou no pregão viva voz da Bolsa de Valores e foi broker da mesa de derivativos do Bradesco.