• Pablo Brenner

    Interessante reflexão inicial sobre a segmentação bancária. Porém, apontar agentes autônomos de investimento como uma opção de “desbancarização” tem claramente um viés comercial por parte do autor, uma vez que os produtos que eles comercializam em sua grande maioria são administrados por IFs (LCA, LCI, CDB, etc…), além de que o viés pessoal do agente em maximizar sua renda pessoal através de corretagem e taxas de administração é o mesmo que leva as IFs a buscarem aumentar sua rentabilidade, e muitas vezes esses agentes autônomos estão menos preparados tecnicamente do que os profissionais das grandes IFs, que em sua maioria recebem capacitação adequada ao perfil de clientes que gere.

    Realmente existe um processo de desbancarização (essencialmente dos meios de pagamento) sendo iniciado pela tecnologia: é o caso de tecnologias como o Google Wallet, BitCoin, ou de empresas como a NuBank. Mas esse processo passa longe de ter algo a ver com a “alternativa” apresentada no artigo.

    Atenção leitores…

    • yann mutz

      Creio que houve um equivoco quanto à sua visão sobre este profissional, Pablo. É evidente que existem profissionais munidos de má fé e falta de ética em todas as áreas, mas você não deve generalizar.
      Como pode um assessor de investimentos não ter preparo para exercer sua profissão, se ele passa por um exame técnico da ANCORD, reconhecido como tal pela CVM?
      A impressão que fica pra mim é que você teve uma experiência ruim com um AAI, o suficiente para te fazer detratar e desmerecer nossa profissão.
      Te deixo o convite para entrar em contato comigo, para que eu possa reverter essa sua impressão ruim. O fato de eu ter sido um cliente de um assessor de investimentos um dia (que me prestou um excelente serviço), foi o que me dispertou para estudar sobre a carreira e trabalhar nesta área.

      • Pablo Brenner

        Não desmereci nem generalizei nenhum dos dois lados, até mesmo porque trabalho no mercado financeiro e não faria sentido o fazer. O fato é que o artigo coloca agentes autônomos como uma opção de “desbancarização”, o que na realidade não são. Esses players exercem um papel importante no mercado de investimento e o ponto que você trouxe em relação a necessidade de provas técnicas é bastante pertinente e algo que os bancos de varejo ainda carecem, apesar de investirem em capacitação fortemente.

        “Desbancarização” é a eliminação da necessidade de instituições financeiras tradicionais nas trocas voluntárias de capital. Se eu hoje, por exemplo, como um investidor de perfil conservador, solicitar a um agente autônomo que me indique ou até mesmo operacionalize para mim uma aplicação em renda fixa, ele irá recorrer as opções ofertadas por bancos, sejam eles os menos ou maior porte (citados no artigo), ou mesmo bancos públicos e o próprio tesouro nacional (que para fins de circulação de ativos também compreende o SFN).

        De qualquer forma, acredito que todos concordamos que quanto mais players no mercado, quanto mais propostas e ofertas diferentes, melhor para todos.

        • Olá Pablo, obrigado pelos comentários. Acredito que com essa discussão saudável, conseguiremos eliminar algumas objeções que possam ter sido despertadas em nossos leitores. A ideia do artigo é despertar no leitor o fenômeno de “desbancarização” dos investimentos e apresentá-lo a profissão do AAI, que é o profissional que irá ajudá-lo nessa etapa. Nos mercados mais maduros (EUA por exemplo), cerca de 95% da poupança da população é gerida por um AAI. Aqui no Brasil, cerca de 1% da poupança tem o auxílio desses profissionais. Quando mencionamos “desbancarização”, não queremos dizer que os bancos deixarão de existir ou que eles não são fundamentais para o sistema financeiro. A intensão é instigar ao leitor a conhecer o serviço do AAI que o ajudará a otimizar seus investimentos, extraindo o melhor que cada instituição financeira pode oferecer. Logo, além de maior segurança e rentabilidade, o investidor deixa de ser “refém” de uma única instituição financeira. Abs

  • yann mutz

    Parabens pelo excelente artigo. Sou assessor de investimentos e este é um dos melhores textos sobre minha profissão que eu já li.

    • Olá Yann! Primeiramente, parabéns pela profissão e obrigado pelo comentário. Não sei se você sabe, mas a profissão de AAI está entre as 4 carreiras mais cobiçadas nos EUA. Apesar de embrionária no Brasil, tem um campo enorme e está em plena expansão. Lembre-se sempre do papel do AAI e ajude as pessoas com educação financeira e na otimização de seus investimentos. Ajude o máximo de pessoas que puder. Se você gostou do artigo, compartilhe com seu networking… Abs

  • Jacy Paulo Ribeiro

    Esse artigo é tão bom quanto os serviços dos bancos que foram citados. Falou falou falou e não disse absolutamente nada. E então? O que o agente autônomo de investimento tem a me oferecer? “Alternativas”, nossa super específico, tipo “personalite” e “estilo” também dizem muita coisa.

    Quais alternativas? Quais as vantagens reais? Cite um comparativo! Nada disso aparece em nenhum artigo sobre desbancarização, apenas apelam para o imaginário popular de que bancos só pensam em si mesmos e não estão nem aí para o cliente. Eu concordo. Mas até agora não vi absolutamente nenhum exemplo concreto que mostre que um “AAI” seria diferente.

    E outra, toda vez que vejo um artigo sobre desbancarização, ele fala na verdade em colocar um agente entre o banco e você, visto que o agente é que se relacionaria com as instituições financeiras ao invés do cliente. Você quer desbancarizar o cliente do banco pra ele ser seu cliente mas não quer desbancarizar o mercado porque na prática é impossível. Como não consegue explicar como isso seria possível (porque não é), prefere pintar bancos como demônios que te remuneram mal e gerentes que não estão do seu lado, quando na verdade a maioria das vezes é que o cliente é burro e não entende nenhuma explicação sobre um produto mais elaborado. Aí você põe o AAI com o ser inteligente e isento que vai cuidar dos seus interesses. Tá “serto”. Não adianta citar como funciona nos EUA, Europa, porque aqui é o Brasil-sil-sil… Os AAI aqui serão só outros banqueiros querendo conseguir o máximo de dinheiro do cliente.

    • Olá Jacy, primeiramente, quero agradecer pela leitura e seus comentários. Acredito que serão de grande valor para a grande maioria dos nossos leitores. Vou separar a minha resposta em três parágrafos, exatamente como você colocou nos seus comentários, tentando assim organizar seus argumentos em partes.

      Entendo perfeitamente seu descontentamento quanto as possíveis alternativas. Infelizmente, em cada artigo preciso ter um foco. Colocar todas essas questões e exemplos práticos precisaria de um livro, não de um artigo. Nesse artigo, quis simplesmente mostrar aos nossos leitores que um novo movimento está começando no Brasil, a desbancarização, o que ocorreu há 3 décadas nos EUA e na Europa. Não tenho a menor dúvida de que esse movimento ganhará cada vez mais força. Enfim, já é uma realidade e só deve ampliar. Quanto a um exemplo concreto de como um AAI poderia ajudar as pessoas, te convido a ler nosso novo artigo sobre assessoria de investimentos, onde acredito tratar grande parte das lacunas que você, de maneira muito assertiva, colocou muito bem nos seus comentários (http://www.caminhoparariqueza.com.br/assessoria-de-investimentos-aai-assessor/).

      Você interpretou muito bem o fato de que “desbancarizar” não é eliminar os bancos. Isso realmente ainda está longe de ser possível. Concordo que eliminá-los só transportaria o problema enfrentado hoje por eles, seria transmitido as novas instituições. Hoje existe instituições como Nubank e mesmo as contas eletrônicas (iconta) gratuitas, pouco divulgada pelos bancos (Essa desbancarização mais completa será assunto de um futuro artigo que pretendo publicar em breve). Porém, “desbancarizar” os investimentos e a questão do gerente dos bancos, são os pontos chave desse artigo. Insisto que de fato são profissionais hoje na maioria mal remunerados, na grande maioria mal preparados e sem dúvida não isentos. Os próprios bancos não querem estreitar o relacionamento gerente vs cliente, já que o gerente saindo do banco, levaria o cliente junto. Pelo contrário, trocam os gerentes constantemente de região, evitando que esse estreitamento ocorra. Então fica a questão: como alguém que mal te conhece é o profissional a quem você delegará a gestão do seu patrimônio? Mais uma vez convido a leitura do artigo sobre assessoria. Ali mostro o quão próximo deveria ser o relacionamento do AAI com o cliente para que um bom trabalho possa ser desenvolvido.

      Para finalizar, em momento algum digo, presumo ou mesmo suponho que as pessoas sejam burras, incapazes ou qualquer coisa do tipo. Claro que cada um que queira e se informe será capaz sim de entender cada produto oferecido pelo banco. Porém, penso que seja impossível e não recomendado que uma pessoa entenda sobre tudo quanto for assunto. Logo, acredito que delegar a função de gerenciar uma carteira de investimentos a um profissional de confiança, seja o melhor caminho para um leigo no assunto. Espero ter esclarecido e ajudado você e os demais leitores.

  • José

    Daniel,

    Gostei do artigo, concordo com você a respeito do Personalite, Prime, SELCT, Estilo e Poupança. Quanto a sua indicação do AAI, ao meu ver traria pouco beneficio para os investidores leigos em questão de investimentos, uma vez que pode haver um conflito de interesse entre o AAI e as instituições emissoras dos títulos, já que a remuneração do AAI provem de um percentual do valor “captado”, ou melhor dizendo , um percentual do sobre as vendas do títulos. Me arrisco até dizer que o AAI é um vendedor contratado por uma corretora por exemplo, não que o mesmo não seja necessário, muito pelo contrario para um fundo de investimentos ele exerce um papel importante.

    A meu ver, a melhor opção para delegar a gestão de investimentos, é procurar um gestor de recursos independente, sendo que sua remuneração provenha apenas do cliente que o contrata. Com isso eliminamos a possiblidade de conflito de interesse ou minimizamos o máximo possível. Um gestor de investimentos tem capacitação adequada, é um profissional que estará ao lado de seus clientes.